Nem Toda Lesão Medular Causa Paralisia: Entenda a Diferença entre Lesões Completas e Incompletas

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Muitos pacientes mantêm movimentos e sensibilidade após traumas na coluna; medicina avança em 2026 com tratamentos que buscam a regeneração dos nervos.

Por Redação BSNotícias

O medo de “nunca mais andar” é a primeira reação de quem sofre um acidente com impacto na coluna. No entanto, especialistas em neurologia explicam que a medula espinhal — o “cabo de fibra óptica” que liga o cérebro ao corpo — pode sofrer danos sem ser totalmente interrompida. É o que a medicina chama de Lesão Medular Incompleta.

O Que Define a Lesão sem Paralisia?

A paralisia total ocorre apenas na Lesão Completa, onde há uma secção total da medula e nenhuma informação passa do ponto da lesão para baixo. Já na Lesão Incompleta, parte das vias nervosas permanece intacta.

Nesses casos, o paciente pode apresentar:

  • Paresia: Que é a fraqueza muscular, e não a perda total do movimento.
  • Parestesia: Sensações de formigamento, dormência ou “choques”, mas com a manutenção do controle dos membros.
  • Preservação Sensorial: O paciente sente o toque, o calor e o frio, mesmo que o movimento esteja um pouco limitado.

Tipos de Lesão Incompleta

Existem síndromes específicas onde o paciente não fica paralisado, mas perde apenas funções pontuais:

  • Síndrome Central da Medula: Mais comum em idosos, onde a pessoa pode perder força nos braços, mas continua caminhando normalmente.
  • Síndrome de Brown-Séquard: Quando apenas um lado da medula é atingido. O paciente pode perder o movimento de uma perna, mas manter a sensibilidade e o movimento da outra.
  • Concussão Medular: Semelhante a um “desmaio” da medula por impacto. Os sintomas podem ser graves no início, mas desaparecem completamente em dias ou semanas conforme o inchaço diminui.

A Esperança de 2026: A Polilaminina

A grande novidade deste ano no Brasil é o avanço das pesquisas com a Polilaminina, uma substância desenvolvida por pesquisadores da UFRJ.

  • O que faz: Ela atua como uma espécie de “ponte” ou “cola” que ajuda os axônios (os fios dos nervos) a crescerem e se reconectarem.
  • Status: O estudo clínico foi aprovado pela Anvisa recentemente. Embora o foco inicial seja em lesões graves, essa tecnologia abre portas para que lesões incompletas tenham uma recuperação muito mais rápida e eficiente, evitando sequelas permanentes.

O Papel da Reabilitação

Para quem sofreu uma lesão incompleta, a fisioterapia intensiva e o acompanhamento médico nas primeiras 72 horas são vitais. Em muitos casos, o que parece ser uma paralisia inicial é apenas o “choque medular”, que regride conforme o corpo recebe o tratamento adequado.

“A medula tem uma capacidade de plasticidade que ainda estamos descobrindo. Receber um diagnóstico de lesão medular hoje não é o fim da linha, mas o início de uma jornada de recuperação tecnológica”, afirma a redação de saúde do BSNotícias.

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