No feriado de Corpus Christi, a cidade parece combinar um cochilo coletivo: repartições fechadas, bancos em silêncio, cartórios descansando e até aquele protocolo urgente, que ontem parecia assunto de Estado, resolve esperar até segunda-feira.
Aí começa a viagem. Na estrada, todo mundo teve a mesma ideia ao mesmo tempo; no aeroporto, as malas parecem mais animadas que os passageiros. Um senhor procura o portão de embarque, uma criança quer sorvete às sete da manhã, e todos fingem serenidade.
Ficam para trás as contas na gaveta, os boletos no e-mail, a reunião pendente, a assinatura que faltou e aquela pequena angústia chamada “quando eu voltar resolvo”. O problema é que ela também viajou, só que dentro da mala.
Na volta, o trânsito reaparece como velho conhecido, o voo atrasa com elegância e a segunda-feira já manda sinais de fumaça. O descanso ainda está no rosto, mas a agenda já bate na porta com crachá e horário marcado.
Chegando em casa, vem o ritual: desarrumar a mala, separar roupa limpa de roupa misteriosa, achar o carregador perdido e perceber que o mundo ficou exatamente onde estava, esperando pacientemente a nossa volta.
A vida também tem suas viagens. Algumas têm volta; outra, não. E, para essa jornada definitiva — nossa e de quem nos cerca: filhos, cônjuges, pais, sócios — não convém deixar tudo para “quando voltar”. Planejamento sucessório, societário, patrimonial e seguros não eliminam a saudade, mas podem reduzir conflitos, organizar responsabilidades e tornar a travessia de quem fica mais tranquila, previsível e protegida.
Escrito pelo Professor Fabiano Zica – fabiano.zica@w1consultoriapatrimonial.com.br
Dr. Fabiano Zica é advogado especialista em Direito Empresarial, com sólida atuação em Planejamento Sucessório e Blindagem Patrimonial. Professor universitário e palestrante, comanda uma estrutura com escritórios em todo o Brasil, aliando a prática jurídica estratégica de alta performance à docência e à formação de lideranças no mercado corporativo.



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