Copa das Bets: MP processa Virginia Fonseca e pede R$ 120 milhões por induzir público a “aposta errada” na Copa do Mundo

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Ação civil pública do Ministério Público do DF acusa a influenciadora e a plataforma Blaze de atuarem em conluio predatório. Publicidade gravada em jatinho incentivava palpites na zebra Cabo Verde contra a Argentina.

Por: Redação BS Notícias Governador Valadares, 10 de julho de 2026

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora digital Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze. O órgão acusa os envolvidos de articularem uma “estratégia coordenada e sistemática” com práticas abusivas e predatórias para captar clientes em massa durante a Copa do Mundo de 2026. O MP pede uma indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 120 milhões.

A investigação tomou corpo após a veiculação de uma publicidade gravada por Virginia dentro de seu jatinho particular, na qual ela estimulava seus mais de 56 milhões de seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde contra a favorita Argentina, em jogo válido pela segunda fase do Mundial.

O Vídeo e a “Confiança no Vozinha”

No conteúdo que gerou o processo, a influenciadora aparece utilizando o aplicativo da Blaze de forma descontraída, simulando um palpite de natureza pessoal. Na gravação, ela diz:

“Tá todo mundo sabendo que hoje vai ter Argentina contra Cabo Verde. E assim, gente, estou esperançosa que o Vozinha [goleiro de Cabo Verde] vai pegar todas pra gente. Já tô aqui na Blaze para fazer minha aposta. Cabo Verde, claro. Porque eu tô confiante no Vozinha. Vou deixar o link para quem também quiser fazer a aposta.”

A seleção de Cabo Verde acabou derrotada pela Argentina em uma partida emocionante por 3 a 2 e foi eliminada do torneio, fazendo com que milhares de seguidores que seguiram a recomendação perdessem dinheiro de forma imediata. Segundo os promotores da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon), a influenciadora induziu deliberadamente o público ao erro ao incentivar palpites em uma condição esportiva altamente improvável e sem o devido favoritismo técnico.

Publicidade Disfarçada e Hipervulnerabilidade

A ação civil pública aponta que um dos agravantes do caso é o formato de “publicidade disfarçada”. O MP argumenta que os anúncios eram misturados organicamente a rotinas familiares, de viagens e momentos pessoais de Virginia, sem uma sinalização clara, transparente e ostensiva de que se tratava de um conteúdo estritamente comercial pago.

De acordo com o texto da denúncia, o alvo principal dessas campanhas são indivíduos em situação de hipervulnerabilidade econômica. Atraídos pela promessa ilusória de conseguir uma “renda extra” rápida e movidos pela forte identificação afetiva com a figura pública, milhares de consumidores acabaram sendo lesados.

Para embasar o processo, servidores do próprio MP se cadastraram secretamente na Blaze e constataram o envio em massa de e-mails promocionais, além de mapearem mais de 42 mil reclamações de usuários relatando o bloqueio injustificado de contas e a retenção sistemática de valores na hora do saque.

Pedidos de Urgência e o que diz a Defesa

Em caráter de tutela de urgência, o Ministério Público exige que a Justiça determine a remoção imediata de todas as redes sociais de Virginia de qualquer publicidade relacionada a jogos de azar que prometa lucros irreais, estimule apostas em eventos específicos ou use contextos pessoais para camuflar o anúncio.

O outro lado:

  • Defesa de Virginia Fonseca: Em nota oficial assinada pelo advogado Sanderson Mafra, a defesa da influenciadora afirmou que refuta veementemente as alegações de conluio, atuação predatória ou intenção de prejudicar os consumidores. O comunicado diz que as acusações se baseiam em “presunções e ilações” por sua condição de pessoa pública e que comprovará de forma técnica a total improcedência do processo em juízo.
  • Blaze: A plataforma de apostas declarou que não havia sido formalmente intimada sobre a ação até a última publicação das reportagens, mas reforçou o seu compromisso público de atuar em estrita conformidade com a transparência e as regulamentações vigentes no Brasil.
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