O Adeus a uma Lenda: Morre Peppino di Capri, a voz romântica que conquistou o mundo

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ILHA DE CAPRI, ITÁLIA – O mundo da música perdeu uma de suas vozes mais elegantes e românticas. O cantor e compositor italiano Peppino di Capri morreu neste sábado (11), aos 86 anos, em sua residência em Villa Castiglione, na icônica ilha de Capri, no sul da Itália.

A notícia da perda foi confirmada por familiares e por sua equipe oficial através das redes sociais com uma mensagem simples e dolorosa: “Tchau, Peppino”. O artista, que vinha enfrentando problemas de saúde decorrentes de uma longa doença, estava afastado dos palcos.

Com quase sete décadas de carreira, Peppino deixa um legado monumental de 54 álbuns gravados e mais de 35 milhões de discos vendidos, sendo a trilha sonora de gerações inteiras, inclusive no Brasil.

O Menino Prodígio que Tocava para Soldados na Guerra

Nascido Giuseppe Faiella em 27 de julho de 1939, o cantor adotou o nome artístico que homenageava sua terra natal e onde viveu até seus últimos dias. A música estava em seu DNA: vindo de uma família de músicos, Peppino começou a tocar piano de forma autodidata com apenas quatro anos de idade.

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o pequeno Giuseppe encantava os soldados americanos estacionados na ilha de Capri ao tocar clássicos do jazz e do cancioneiro americano no piano de cauda de um hotel local. Mal sabiam aqueles militares que estavam diante de uma futura estrela internacional.

O Fenômeno de Sanremo e a “Invasão” aos Beatles

Nos anos 1950, já acompanhado de sua banda, os Rockers, Peppino di Capri revolucionou a música italiana ao misturar o tradicional romantismo napolitano com as batidas modernas do Rock’n’Roll e do Twist que vinham dos Estados Unidos.

Um dos episódios mais célebres de sua biografia aconteceu em junho de 1965. Peppino foi o único cantor italiano convidado para fazer o show de abertura da histórica e única turnê dos Beatles pela Itália, tocando antes do quarteto de Liverpool em apresentações memoráveis em Milão, Gênova e Roma.

Sua história também se confunde com a do prestigiado Festival de Sanremo, o maior termômetro da música italiana. Peppino participou de nada menos que 15 edições e consagrou-se campeão em duas oportunidades:

  • 1973: Vencedor com a canção “Un Grande Amore e Niente Più”.
  • 1976: Vencedor com a música “Non Lo Faccio Più”.

Em 2023, o festival prestou uma última e emocionante homenagem ao cantor, entregando-lhe um prêmio pelo conjunto da obra sob uma dupla e calorosa ovação de pé do Teatro Ariston. Com o bom humor de sempre, ele brincou no palco: “Fazia tempo que eu esperava esse momento, finalmente chegou… Antes tarde do que nunca”.

“Champagne” e “Roberta”: Hinos Imortais

Dizer o nome de Peppino di Capri é lembrar imediatamente de clássicos que ultrapassaram as fronteiras da Europa e se tornaram verdadeiros hinos populares no Brasil e na América Latina.

“Roberta” (1963): Composta em homenagem à sua primeira esposa, a canção foi um sucesso tão avassalador que provocou uma onda histórica de registros de recém-nascidos com esse nome na Itália e no mundo.

“Champagne” (1973): Sua obra-prima absoluta. A melodia melancólica e sofisticada que narra um brinde à mesa de um bar transformou-se em uma das músicas italianas mais regravadas e conhecidas do planeta.

No Brasil, Peppino di Capri era figura carimbada em turnês de sucesso absoluto, sempre arrastando multidões apaixonadas por suas baladas românticas e sua presença de palco impecável, frequentemente atrás de seu piano de cauda.

O Brinde Final

Peppino di Capri parte um mês antes de completar 87 anos, deixando órfã a era de ouro da música melódica italiana. O piano em Villa Castiglione silencia-se hoje, mas o eco de sua voz rouca, terna e profundamente emocionante continuará vivo sempre que uma taça de champagne for erguida para brindar ao amor, à saudade e à beleza da vida.

Por Redação BS Notícias.

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