OLHE ALÉM DO NEGÓCIO
Por Rafaello Pedalino · Leitura: 3 min
Nesta semana, participei de uma negociação em que fundador e investidor estavam sentados à mesma mesa.
Falamos sobre o negócio, riscos, participação, condições e potencial de crescimento.
Mas, enquanto ouvia a conversa, percebi que minha análise voltava sempre para três perguntas:
Quem é a pessoa?
O negócio funciona?
Existe uma oportunidade real de mercado?
Foi aí que algo ficou ainda mais claro para mim:
não basta encontrar um bom negócio.
É preciso olhar além dele.
O investimento começa pela pessoa
Planilhas ajudam. Projeções também.
Mas nenhuma planilha vai tomar as centenas de decisões que surgirão depois que o dinheiro entrar.
Quem fará isso são pessoas.
Por isso, antes de olhar apenas para números, eu procuro entender quem está conduzindo o negócio.
Essa pessoa executa?
Sabe ouvir?
Reconhece quando não sabe?
Como reage quando alguma coisa dá errado?
Tem maturidade para lidar com dinheiro, crescimento e sociedade?
É alguém com quem vale atravessar também os momentos difíceis?
Um plano pode mudar muitas vezes.
Quem toma as decisões continuará ali.
O investidor não coloca dinheiro apenas em uma empresa. Coloca confiança em quem vai conduzi-la.
Depois, o negócio precisa funcionar
Uma pessoa excelente não transforma automaticamente qualquer ideia em um bom negócio.
No fim, ele precisa funcionar.
Precisa existir uma forma clara de ganhar dinheiro.
A conta precisa fazer sentido.
A operação precisa conseguir entregar.
Os riscos precisam ser conhecidos.
E o crescimento não pode depender apenas de esforço, improviso ou dinheiro novo entrando o tempo todo.
É aqui que entusiasmo encontra realidade.
Uma boa história pode abrir uma negociação.
Mas é o negócio funcionando que permitirá sustentá-la.
E precisa existir mercado
Mesmo uma boa pessoa, conduzindo um bom negócio, pode encontrar um limite:
O mercado.
Existe gente querendo comprar?
Essa demanda está crescendo?
É o momento certo?
Há espaço para aquela empresa se diferenciar?
O mercado está pronto para aquilo?
Nem fundador nem investidor controlam completamente essas respostas.
Por isso, não basta perguntar:
Existe mercado?
A pergunta mais interessante é:
Existe mercado para este negócio, neste momento, conduzido por estas pessoas?
O valor está no encontro
Passei a organizar essa análise de uma forma muito simples:
Pessoa × Negócio × Mercado.
Não como uma fórmula matemática.
Como um lembrete.
Se uma dessas três partes é muito frágil, o investimento inteiro fica mais arriscado.
Um grande mercado não salva qualquer negócio.
Um bom negócio não compensa qualquer pessoa.
E uma pessoa extraordinária também encontra limites quando o negócio ou o mercado não ajudam.
O potencial aparece quando as três coisas se encontram.
A pessoa certa para conduzir.
Um negócio que funciona.
E um mercado que oferece espaço para crescer.
No Crescimento Estruturado, esse alinhamento importa porque visão, estrutura e resultado precisam conversar.
Antes de investir, portanto, eu não perguntaria apenas:
É um bom negócio?
Perguntaria:
Quem vai construir? O que está sendo construído? E existe espaço para isso prosperar?
Porque, muitas vezes, o melhor investimento provavelmente não está no negócio.
Está no encontro entre a pessoa, o negócio e o mercado.

Rafaello Pedalino é conselheiro, economista, advogado e mentor estratégico. Construiu sua trajetória em dois extremos do mundo dos negócios: de operações com multinacionais no mercado financeiro global à aceleração de startups em estágio inicial no ecossistema do Vale do Silício. Hoje, atua com Crescimento Estruturado, organizando empresas e investimentos para gerar valor, previsibilidade e resultado. Criador do Método VER e coautor do livro Foras da Curva, escreve semanalmente no BSNotícias sobre negócios, investimentos, liderança, inovação e desenvolvimento humano.
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