Ouro Verde no Pasto: Manejo Estratégico e Forrageiras de Alta Proteína Aceleram a Terminação do Gado de Corte
Com foco na redução do ciclo produtivo e no alívio dos custos de nutrição, pecuaristas apostam na intensificação das pastagens para maximizar o ganho de peso diário antes do período seco
Em um cenário onde a eficiência zootécnica e o controle rigoroso de custos determinam a margem de lucro da porteira para dentro, a pecuária de corte brasileira vive uma verdadeira corrida pela otimização de seu recurso mais abundante: a pastagem. Em diversas regiões produtoras, pecuaristas têm intensificado o manejo de pastejo rotacionado e investido na introdução de cultivares modernas de capim com alto valor nutricional, buscando encurtar a fase de recria e acelerar a terminação dos animais diretamente a pasto.
A lógica econômica por trás desse movimento é direta. Com as oscilações nos preços dos grãos utilizados na ração concentrada — como milho e farelo de soja —, o pasto bem cuidado permanece como a fonte de nutrientes mais barata por quilo de carne produzido. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte reiteram que o ganho médio diário (GMD) satisfatório não depende apenas da genética do rebanho, mas da qualidade da folha que o animal consome, exigindo plantas com alta taxa de digestibilidade e teor expressivo de proteína bruta.
A escolha das cultivares certas para cada perfil de solo
O avanço na produtividade das fazendas está atrelado à diversificação das forrageiras, evitando a monocultura no pasto e aproveitando as aptidões de cada gênero:
- Linha Panicum maximum (Mombaça, BRS Zuri e BRS Tamani): Tornaram-se a espinha dorsal de projetos intensivos. Em áreas corrigidas e com reposição de adubação nitrogenada, o Mombaça e o Zuri oferecem volumes massivos de matéria seca com teores de proteína que facilmente superam os 12% a 14% na brotação tenra. Já o Tamani, com porte menor e folhas mais finas, assegura excelente facilidade de apreensão pelo gado e rápido ganho de carcaça.
- Linha Brachiaria (BRS Piatã, Paiaguás e Marandu): Seguem como opções indispensáveis pela rusticidade e tolerância ao estresse hídrico. O destaque recai sobre o BRS Paiaguás e o Piatã, que apresentam enraizamento vigoroso e mantêm oferta de massa verde de boa qualidade no período de transição entre as águas e a estiagem, amortecendo a perda de peso típica do inverno.
Tabela: Desempenho e exigências das principais forrageiras
| Forrageira | Perfil Nutricional | Fertilidade do Solo | Função Estratégica na Fazenda |
| Capim-Mombaça | Alto teor de proteína e grande volume foliar | Alta (exige correção e adubo) | Alta lotação e ganho de peso no auge das águas |
| BRS Zuri | Elevada digestibilidade e sanidade foliar | Média a Alta | Tolerância à cigarrinha e terminação rápida |
| BRS Tamani | Folhas finas, macias e alta palatabilidade | Média a Alta | Facilidade de consumo para animais jovens e recria |
| BRS Piatã | Rápido rebrote e retenção de verde na seca | Média | Manutenção de desempenho na transição para a estiagem |
| BRS Paiaguás | Rusticidade com raiz profunda | Baixa a Média | Suporte forrageiro seguro contra a quebra por seca |
O segredo do manejo: folha nova na boca do boi
Mais do que acertar na semente, técnicos e zootecnistas alertam que o diferencial está na altura de entrada e saída dos piquetes. Quando o capim ultrapassa o ponto ideal de pastejo, ele sofre o processo de lignificação: os caules endurecem, o valor nutritivo despenca e o boi gasta mais energia para mastigar e digerir a fibra.
O sistema de pastejo rotacionado, aliado à divisão de piquetes e ao monitoramento por régua forrageira, garante que o lote entre na área quando o capim intercepta cerca de 95% da luz solar — momento de ápice nutricional — e saia antes de comprometer a gema de rebrote da planta.
Combinando a pastagem no ponto certo a uma suplementação estratégica no cocho (seja mineral aditivado ou proteinado), o produtor consegue manter o gado em ritmo contínuo de ganho na balança, antecipando o abate em até seis meses e liberando espaço na fazenda para novos ciclos lucrativos.



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