Proteção Redobrada na Primavera: Como Cuidar dos Cães e Gatos Durante a Época de Pulgas, Carrapatos e Alergias
Aumento das temperaturas e da umidade favorece a proliferação de parasitas externos e desencadeia dermatites; médicos-veterinários alertam para a importância da prevenção contínua
Com a chegada da primavera e a elevação natural das temperaturas e da umidade, a rotina dos animais de estimação requer cuidados redobrados por parte dos tutores. Este período do ano marca o início do pico de proliferação de ectoparasitas — principalmente pulgas e carrapatos —, além do aumento expressivo no número de consultas veterinárias motivadas por quadros alérgicos de pele e contato com pólen e gramíneas.
O alerta ganha relevância porque a infestação por parasitas vai muito além do incômodo da coceira persistente. Eles atuam como vetores diretos de doenças infecciosas graves que podem colocar em risco a vida dos pets e, em alguns casos, afetar também os seres humanos.
Os perigos invisíveis dos parasitas externos
- Carrapatos e as “Doenças do Carrapato”: No Brasil, o carrapato-vermelho-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) é o principal transmissor de hemoparasitoses graves, como a Erliquiose e a Babesiose. Essas infecções atacam glóbulos brancos e vermelhos e plaquetas, provocando sintomas como prostração, febre, anemia profunda, sangramentos nasais e perda de apetite.
- Pulgas e a DAPP: A picada da pulga injeta saliva com substâncias altamente alergênicas. Em animais sensíveis, uma única picada é suficiente para desencadear a Dermatite Alérgica à Picada de Ectoparasitas (DAPP), caracterizada por perda de pelos na região lombar, feridas inflamadas e coceira desesperada. Além disso, pulgas transmitem vermes intestinais (Dipylidium caninum).
A regra de ouro: cuidar do pet e do ambiente
Especialistas em medicina veterinária destacam um dado crucial que muitos tutores desconhecem: apenas 5% da população de pulgas e carrapatos está sobre o corpo do animal. Os outros 95% encontram-se no ambiente na forma de ovos, larvas e pupas, alojados em frestas de pisos, rodapés, tapetes, fendas de sofás e camas dos pets.
Para manter a casa e os animais protegidos, os profissionais recomendam:
- Antiparasitários regulares: Utilizar coleiras repelentes, comprimidos palatáveis orais ou pipetas tópicas de longa duração, respeitando rigorosamente o prazo de reaplicação indicado pelo fabricante ou veterinário.
- Higienização do ambiente: Lavar as caminhas e cobertores com água quente semanalmente e manter a aspiração frequente de carpetes e frestas, aplicando produtos específicos para controle ambiental quando necessário.
- Inspeção pós-passeio: Ao retornar de parques, praças ou áreas com grama alta, inspecionar atentamente as patas, entre os dedos, orelhas, pescoço e abdômen do animal.
Atenção às alergias sazonais
Assim como as pessoas, cães e gatos podem apresentar sensibilidade ao pólen e a partículas transportadas pelo ar na primavera. Os sinais mais comuns de atopia sazonal incluem lambedura compulsiva das patas, vermelhidão nos olhos, secreção nasal clara e espirros frequentes.
Ao notar qualquer mudança de comportamento, coceira intensa ou apatia no animal, a orientação é evitar receitas caseiras ou automedicação — especialmente com analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano, que são altamente tóxicos para cães e gatos — e buscar imediatamente a avaliação de um médico-veterinário para o diagnóstico correto.



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