COLUNA DO SEU LUIS

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O Espetáculo do Vazio: Entre Ataques e Promessas Mágicas, Cadê os Projetos Reais Para os Estados?

Iniciamos outubro a pouquíssimos dias do primeiro turno das eleições, e a sensação que fica para o cidadão que se sentou diante da televisão para acompanhar os debates estaduais é de pura frustração. Em vez de plataformas sólidas de desenvolvimento, planejamento orçamentário e metas claras para a saúde, educação e segurança pública, o que se viu nos estúdios pelo país afora foi um festival de ataques pessoais, denúncias requentadas, corte de frases de efeito para viralizar em redes sociais e um vazio assustador de ideias concretas.

Pior do que a troca rasa de insultos é quando alguns candidatos resolvem falar de propostas. O que se ouve não são planos de governo estruturados, mas pura demagogia e promessas mágicas que não resistem a cinco minutos de leitura da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em Minas Gerais, por exemplo, o senador Cleitinho insiste no discurso populista de que vai simplesmente “reduzir o IPVA” e resolver os problemas do povo como em um passe de mágica. Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento sobre administração pública sabe que isso beira a irresponsabilidade orçamentária. O IPVA não é uma torneira imaginária que o governador fecha com um estalar de dedos: metade da arrecadação desse imposto pertence diretamente aos 853 municípios mineiros, bancando postos de saúde, merenda escolar e asfalto de cidades que já vivem sufocadas no limite das contas. Prometer cortar receitas essenciais sem apontar de onde sairá a compensação financeira para os cofres públicos é brincar com a inteligência do eleitor.

O cenário se repete de norte a sul. Na Bahia, o embate tenso entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues transformou os palanques em trincheiras de cobranças mútuas e ataques sobre heranças políticas, enquanto os desafios estruturais da segurança pública e da geração de empregos no estado ficam relegados a segundo plano. No Ceará, as fraturas e o tiroteio verbal entre o bloco petista e o grupo de Ciro Gomes expõem mágoas partidárias e disputas de espaço que em nada dialogam com a urgência da seca, da infraestrutura hídrica e da melhoria dos serviços básicos para a população vulnerável.

A pergunta incômoda — e indispensável — que fica no ar nesta reta decisiva é muito clara: quem é que vai levar este país a sério?

O Brasil não avança a partir de Brasília se as bases federativas continuarem reféns de narrativas fáceis, do lacre de internet e do palanque permanente. A transformação da vida real acontece no território dos estados e dos municípios, onde a máquina pública precisa funcionar com competência, rigor técnico e equilíbrio fiscal, e não com bravatas de palanque que desmoronam no primeiro dia de mandato.

A poucos dias de irmos às urnas, o eleitor tem a responsabilidade de filtrar o espetáculo circense. Desconfie de quem oferece atalhos milagrosos e receitas fáceis para problemas que exigem anos de trabalho sério. O futuro dos nossos estados é coisa séria demais para ser entregue a quem só sabe produzir barulho e prometer o impossível.

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