O “Ouro Verde”: Como o Milho Etanol está revolucionando a economia do interior em 2026
Até pouco tempo atrás, o milho era considerado uma “segunda safra” de menor valor, muitas vezes acumulado em silos à espera de preços melhores para exportação. Mas o cenário mudou. Em 2025, o Brasil consolidou a maior expansão industrial de sua história no setor de biocombustíveis, e o Etanol de Milho tornou-se o novo motor de riqueza do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Entenda por que o grão dourado é agora chamado de “Ouro Verde” e como ele impacta do bolso do produtor à bomba do posto:
1. Verticalização: Dinheiro que fica na cidade
O grande trunfo do etanol de milho é a industrialização local. Em vez de exportar o grão bruto, as usinas processam o milho no local de origem.
- Valor Agregado: O grão vira combustível e, no processo, gera o DDG (Grãos de Destilaria Secos), um subproduto riquíssimo em proteína para alimentar o gado.
- Ciclo Fechado: Isso cria um sistema onde o milho vira energia e carne na mesma região, gerando empregos qualificados e impostos que ficam no interior do Brasil.
2. O Boom das Usinas em 2025/2026
Somente no último ano, quatro novas megausinas entraram em operação. O Brasil já produz mais de 6 bilhões de litros de etanol de milho por safra, um crescimento de 800% nos últimos cinco anos.
- Sustentabilidade: Diferente do que muitos pensam, o etanol de milho brasileiro tem uma pegada de carbono baixíssima. Muitas usinas são alimentadas por biomassa (cavaco de eucalipto ou palha de milho), tornando o ciclo extremamente verde para os padrões internacionais.
3. Impacto no Preço e no Mercado
O milho traz uma vantagem logística sobre a cana-de-açúcar: ele pode ser armazenado.
- Produção o Ano Todo: Enquanto as usinas de cana param na entressafra (inverno), as de milho funcionam 365 dias por ano. Isso ajuda a estabilizar o preço do etanol nos postos, evitando as altas bruscas que ocorriam antigamente entre dezembro e março.
- Sustentação de Preços: Para o produtor, as usinas criam um “piso” de preço. Se o mercado internacional cai, a usina local garante a compra, protegendo a renda de quem planta.
4. DDG: O combustível da Pecuária
O “segredo” do sucesso econômico do etanol de milho não é só o álcool, mas o que sobra dele. O DDG revolucionou o confinamento de bois em 2025.
- Com o farelo de milho (DDG) disponível a preços competitivos perto das usinas, o custo de engorda caiu 15%, permitindo que o Brasil produzisse carne com mais eficiência e sustentabilidade.
Tabela: O Salto do Milho no Brasil
| Indicador | Safra 2020/21 | Safra 2025/26 (Projeção) |
| Produção Etanol de Milho | 3,47 bilhões L | 7,2 bilhões L |
| Usinas em Operação | 18 unidades | 32 unidades |
| Consumo Interno de Milho | 72 milhões t | 86 milhões t |
| Uso de DDG na Pecuária | 2,1 milhões t | 4,8 milhões t |
O que esperar para 2026?
O próximo passo é o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Grandes grupos já estão testando o uso do etanol de milho como base para o combustível de aviões, o que pode abrir um mercado global bilionário para o agro brasileiro nos próximos meses.



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