Gestão Agro 2026: Como preparar o caixa para a Reforma Tributária e os novos juros

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O ano de 2025 termina com safras recordes, mas com um alerta: faturamento alto não é sinônimo de lucro no bolso. No dia 30 de dezembro, o produtor rural brasileiro precisa tirar os olhos do talhão e focar na planilha. O cenário financeiro para 2026 traz mudanças profundas na forma como o agro paga impostos e acessa capital.

Confira os três pilares que vão determinar a saúde financeira da sua fazenda no novo ano:

1. O “Leão” em Transição: A Reforma Tributária

2026 é um ano de preparação para o novo modelo de impostos (IBS e CBS). Embora a alíquota plena só chegue mais tarde, o agro precisa se adaptar agora ao sistema de créditos financeiros.

  • O Desafio: No novo sistema, o produtor só recupera o imposto pago se tiver uma gestão rigorosa de notas fiscais eletrônicas. Aquela compra “sem nota” ou mal documentada vai custar muito caro, pois impedirá o abatimento de impostos na venda da safra.
  • Ação Necessária: Implementar ou atualizar o ERP (sistema de gestão) para que ele seja 100% compatível com a rastreabilidade fiscal exigida pelo governo.

2. Crédito Rural: A vez dos “Títulos Verdes”

O Plano Safra 2025/26 confirmou uma tendência: juros mais baixos apenas para quem comprova boas práticas.

  • LCA e CPR Verde: O mercado de capitais está mais barato que o banco tradicional para quem tem certificação ambiental. Em 2026, as Cédulas de Produto Rural (CPR) Verdes devem movimentar R$ 50 bilhões.
  • Dica: O produtor que recupera pastagens ou mantém reserva legal acima do exigido terá acesso a taxas de juros até 2% menores ao ano.

3. Estratégia de Comercialização: Fugindo do “Efeito Boiada”

Com a superprodução de 2025, o preço das commodities estabilizou em patamares menores.

  • Seguro e Hedge: 2026 não é ano para “apostar” no preço futuro. O uso de travas de preço (Hedge) em Chicago e o seguro rural tornam-se obrigatórios. Especialistas sugerem travar pelo menos 40% da produção antes mesmo da colheita para garantir o pagamento dos custos fixos.
  • Barter: A troca de insumos por produção futura volta com força como forma de evitar a exposição ao câmbio volátil.

Checklist de Gestão para Janeiro/2026

  • [ ] Revisão de Custos: Analisar o impacto da logística (frete) que subiu 8% no último semestre de 2025.
  • [ ] Auditoria de Notas: Garantir que todos os insumos comprados em 2025 tenham notas fiscais lançadas corretamente para crédito tributário.
  • [ ] Renovação de Seguros: Com o fim do La Niña, os prêmios de seguro podem sofrer ajustes; hora de renegociar.
  • [ ] Governança Familiar: Para propriedades médias, 2026 exige a separação clara entre “conta da casa” e “conta da fazenda”.

Tabela: Onde investir o excedente de 2025?

PrioridadePor que investir?Impacto Estimado
Software de GestãoConformidade fiscal e controle de estoqueRedução de 12% em desperdícios
Armazenagem PrópriaFugir dos preços baixos na colheitaGanho de até 15% na venda futura
Correção de SoloAumentar produtividade na mesma área+ 5 sacas por hectare
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