ALCOOLISMO

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O alcoolismo, reconhecido medicamente como Transtorno por Uso de Álcool (TUA), é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Psiquiatria como uma doença crônica, progressiva e potencialmente fatal.

Diferente do que o senso comum muitas vezes prega, a ciência moderna deixou de tratar o alcoolismo como uma “falha de caráter” para entendê-lo como uma complexa alteração no funcionamento cerebral.


🧠 Por que é uma doença e não apenas uma escolha?

Quando uma pessoa consome álcool de forma abusiva e recorrente, ocorrem mudanças químicas e estruturais no cérebro, especialmente em duas áreas:

  1. Sistema de Recompensa (Mesolímbico): O cérebro passa a exigir o álcool para liberar dopamina (prazer). Sem a substância, a pessoa sente uma profunda angústia e depressão.
  2. Córtex Pré-frontal: Esta é a área responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões. O álcool “desliga” essa região, tornando quase impossível para o dependente dizer “não”, mesmo sabendo das consequências negativas.

📋 Critérios para o Diagnóstico (DSM-5)

Para ser considerado uma doença, o uso do álcool apresenta sintomas claros:

  • Desejo incontrolável (Craving): Uma vontade súbita e intensa de beber.
  • Tolerância: A necessidade de doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito.
  • Abstinência: Sintomas físicos (tremores, suor, náuseas) quando se para de beber.
  • Perda de controle: Beber mais do que o planejado e não conseguir interromper o uso.
  • Priorização: O álcool passa a ser mais importante que o trabalho, a família e a saúde.

🧬 Fatores de Risco

O alcoolismo é uma doença multifatorial. Ninguém se torna dependente por um único motivo:

  • Genética: Filhos de pais dependentes têm de 3 a 4 vezes mais chances de desenvolver a doença.
  • Saúde Mental: A “automedicação” para tratar ansiedade, depressão ou traumas é uma porta de entrada comum.
  • Ambiente: A facilidade de acesso e a pressão social em culturas onde o álcool é excessivamente celebrado.

🩺 Tratamento: Existe cura?

Como toda doença crônica (como diabetes ou hipertensão), o alcoolismo não tem cura, mas tem controle. O tratamento moderno é baseado em um tripé:

  1. Desintoxicação Médica: Em casos graves, é necessária supervisão médica para lidar com as crises de abstinência, que podem causar convulsões ou o delirium tremens.
  2. Psicoterapia: Especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), para ajudar o paciente a identificar gatilhos e mudar comportamentos.
  3. Grupos de Apoio: Alcoólicos Anônimos (AA) são fundamentais para o suporte emocional e a manutenção da sobriedade a longo prazo.

Importante: Em 2026, novas terapias farmacológicas e o uso de neuromodulação (estimulação cerebral não invasiva) têm mostrado resultados promissores na redução da fissura pelo álcool.


🆘 Onde buscar ajuda no Brasil?

Se você ou alguém próximo está enfrentando dificuldades com o álcool, existem redes gratuitas e especializadas:

  • CAPS ad (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas): Unidades do SUS especializadas em dependência química.
  • Alcoólicos Anônimos (AA): Reuniões presenciais e online em todo o país.
  • CVV (Centro de Valorização da Vida): Ligue 188 para apoio emocional imediato.
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