Coluna do Seu Luis: O Mistério dos Milionários “Sem Ontem”
Por: Luis Ricardo Garcia Sapia
Nas rodas de conversa , o roteiro se repete. De repente, surge alguém ostentando o carro do ano, relógios que valem um apartamento e viagens em jatos particulares. No Instagram, a vida é um catálogo de luxo ininterrupto. Mas, quando você tenta puxar o fio da meada e pergunta: “De onde vem esse dinheiro?”, a resposta é sempre uma névoa de termos vagos ou sucessos meteóricos inexplicáveis.
Estamos vivendo a era dos milionários sem lastro.
O Que é o Lastro?
No jornalismo econômico, o lastro é a garantia, a base sólida. É o histórico de trabalho, a herança declarada, a venda de uma empresa real ou anos de lucro em um setor produtivo. O milionário com lastro tem uma “biografia financeira”. O milionário sem lastro tem apenas um “presente exuberante”.
Os Disfarces Modernos
Em 2026, os novos ricos que aparecem da noite para o dia costumam usar três grandes “guarda-chuvas” para justificar a fortuna repentina:
- O “Gênio” das Criptomoedas: É o álibi perfeito. Como o mercado é volátil e descentralizado, fica fácil dizer que “apostou em uma moeda que valorizou 10.000%”. O problema é que, muitas vezes, a cripto é apenas a fachada para esquemas de pirâmide ou lavagem de capitais.
- O Influenciador de “Infoprodutos”: Eles vendem cursos sobre como ficar rico… vendendo cursos. Criam uma ostentação cenográfica (carros alugados, mansões de temporada) para convencer o incauto de que o método funciona.
- Apostas Esportivas e “Bets”: Com a regulamentação do setor, muitos usam os ganhos (reais ou fictícios) em apostas para justificar movimentações financeiras que a conta bancária tradicional não suportaria.
O Olhar da Autoridade (e o Nosso)
O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e a Receita Federal estão mais atentos do que nunca. Movimentações incompatíveis com a renda declarada acendem alertas vermelhos em segundos. Mas, para além da questão legal, fica a reflexão social: o que leva uma sociedade a idolatrar o sucesso sem processo?
O dinheiro sem lastro costuma ter um “prazo de validade”. Assim como surge no susto, ele desaparece na mesma velocidade — ou termina em uma manchete policial. No jornalismo, aprendemos que o que é sólido demora a ser construído. Quem pula etapas, geralmente, tropeça na própria sombra.
O Radar do Sapia
Fiquem de olho: nem tudo que brilha é ouro, e nem todo “sucesso” resiste a uma simples consulta ao CNPJ ou a uma conversa de dez minutos sobre plano de negócios.



Publicar comentário