CRIAÇÃO DE CARANGUEIJO

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A carcinicultura (criação de crustáceos) no Brasil está passando por uma revolução silenciosa. Enquanto a criação de camarões é amplamente difundida, a criação de caranguejos em cativeiro surge em 2026 como uma fronteira lucrativa e sustentável, especialmente para o Caranguejo-Uçá e o Siri-Azul.

Confira os principais pontos sobre como funciona esse mercado e os desafios da atividade.


1. As Espécies Protagonistas

No Brasil, o foco da criação divide-se entre o mercado de consumo direto e o repovoamento de manguezais:

  • Caranguejo-Uçá (Ucides cordatus): É o mais tradicional nas mesas brasileiras. A criação foca no ciclo de engorda e no monitoramento de áreas de mangue manejadas.
  • Siri-Azul (Callinectes sapidus): Tem ganhado destaque pela rapidez de crescimento e pela demanda na indústria de “soft-shell crab” (caranguejo de casca mole), uma iguaria de alto valor gastronômico.
  • Caranguejo-Geral (Scylla serrata): Conhecido internacionalmente como Mud Crab, é uma espécie exótica que tem sido estudada para tanques de alta produtividade devido ao seu porte avantajado.

2. Sistemas de Produção: Do Mangue ao Tanque

Existem hoje três formas principais de criar caranguejos:

A. Manejo em Áreas de Manguezal

É a forma mais sustentável. O produtor delimita áreas de mangue natural e faz o manejo controlado, garantindo que os animais tenham alimento e proteção contra predadores, permitindo que cresçam mais do que na natureza aberta.

B. Sistemas de Recirculação de Água (RAS)

Utilizado para o caranguejo de casca mole. Os animais são colocados em caixas individuais (biocélulas) com controle de temperatura e salinidade. Quando o caranguejo faz a troca de casca (muda), ele é retirado imediatamente para ser congelado, mantendo a carapaça macia e comestível.

C. Policultivo com Camarão

Muitos produtores no Nordeste estão colocando caranguejos em canais de abastecimento de fazendas de camarão. Os caranguejos ajudam a limpar o fundo dos canais, aproveitando restos de ração e matéria orgânica.


3. Desafios e Viabilidade Econômica

DesafioDescrição
CanibalismoCaranguejos são territoriais. Em alta densidade, eles se atacam, o que exige separação física ou muitos esconderijos.
Ciclo de VidaO crescimento é lento. Um Caranguejo-Uçá pode levar de 3 a 5 anos para atingir o tamanho comercial.
LegislaçãoPor ser uma espécie nativa de ecossistema sensível (mangue), as licenças ambientais são rigorosas.

4. O Mercado em 2026: Por que investir?

  1. Escassez na Natureza: A poluição e a sobrepesca diminuíram as populações selvagens, elevando o preço do “cento” do caranguejo.
  2. Rastreabilidade: O consumidor moderno quer saber de onde vem o alimento. O caranguejo de cativeiro oferece garantia sanitária (ausência de metais pesados e microplásticos).
  3. Tecnologia de Engorda: Novos tipos de ração extrusada específica para crustáceos estão reduzindo o tempo de crescimento em até 20%.

Dicas para o Futuro Criador

  • Localização: Próximo ao litoral, para facilitar o acesso à água salobra ou salgada.
  • Engenharia: Os tanques precisam de paredes lisas ou barreiras, pois os caranguejos são excelentes “escaladores”.
  • Foco Gastronômico: O maior lucro não está no caranguejo vivo comum, mas no processamento (carne de caranguejo pura e limpa) ou na técnica de casca mole.

Curiosidade: Na China e no Vietnã, a criação de caranguejos em prédios (fazendas verticais de caixas plásticas) já é uma realidade bilionária. No Brasil, os primeiros projetos piloto nesse modelo começaram a ganhar escala agora em 2026.

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