Esclerose Múltipla: Desvendando a Doença Crônica do Sistema Nervoso e a Importância do Diagnóstico Precoce

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A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica crônica, inflamatória e autoimune que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC), composto pelo cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. Não se trata de uma doença mental ou terminal, mas sim de uma condição que exige tratamento contínuo e acompanhamento multidisciplinar para garantir a qualidade de vida.

No Brasil, estima-se que existam cerca de 40 mil pessoas convivendo com a EM, sendo mais comum em adultos jovens, predominantemente mulheres, entre 20 e 40 anos de idade.

🔬 O Que Acontece no Corpo?

A EM é uma doença autoimune, o que significa que o sistema de defesa do corpo ataca o próprio organismo, confundindo-o com um invasor:

  • Mecanismo: O sistema imunológico ataca a mielina, uma capa protetora (semelhante a um isolante de cabo elétrico) que envolve e protege os neurônios.
  • Danos: Quando a mielina é destruída, o impulso nervoso que viaja pelo neurônio é interrompido ou fica mais lento. Isso causa lesões (placas) em diferentes áreas do SNC, levando a uma variedade de sintomas.
  • Natureza Crônica: As lesões podem ocorrer em diferentes momentos e locais, o que justifica o nome “múltipla” e a diversidade de manifestações clínicas.

📝 Sintomas e o Desafio do Diagnóstico

Os sintomas variam enormemente de pessoa para pessoa, pois dependem da área do SNC que foi lesionada. O diagnóstico é complexo, pois os sinais podem ser transitórios.

  • Sintomas Comuns:
    • Alterações de Sensibilidade: Dormência, formigamento ou sensação de choque em partes do corpo.
    • Problemas de Visão: Neurite óptica (inflamação do nervo óptico) que causa dor ao mover o olho, visão turva, dupla ou perda parcial da visão.
    • Problemas Motores: Fraqueza, rigidez ou espasmos musculares (espasmos), dificuldade para andar e perda de equilíbrio (ataxia).
    • Fadiga Extrema: Uma das queixas mais comuns, uma sensação de cansaço debilitante que não melhora com o repouso.
    • Disfunção Cognitiva: Problemas leves de memória, concentração ou processamento de informações.

O diagnóstico é feito por um neurologista, geralmente após a análise do histórico clínico e de exames de imagem, como a Ressonância Magnética (RM), que detecta as lesões características da EM no cérebro e na medula.

💊 Tipos e Tratamento: O Foco na Qualidade de Vida

Existem diferentes formas de Esclerose Múltipla, sendo a mais comum a Remitente-Recorrente (EMRR), caracterizada por surtos (sintomas novos ou agravados) seguidos por períodos de remissão (recuperação total ou parcial).

O tratamento evoluiu drasticamente nas últimas décadas e é dividido em três pilares:

  1. Tratamento do Surto: Uso de corticoides em altas doses por um curto período para reduzir a inflamação e acelerar a recuperação após um surto.
  2. Tratamento Modificador da Doença (Medicamentos de Alto Custo): Medicamentos injetáveis, orais ou intravenosos, que atuam no sistema imunológico para reduzir a frequência e a gravidade dos surtos e frear a progressão da doença.
  3. Tratamento Sintomático e Reabilitação: Fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico são fundamentais para gerenciar os sintomas (como fadiga e dor) e manter a funcionalidade e a autonomia.

Graças aos avanços da medicina, o diagnóstico de Esclerose Múltipla não mais significa incapacidade. Com o tratamento adequado e a adoção de um estilo de vida saudável, a maioria das pessoas com EM pode levar uma vida plena e produtiva.

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