GADO DE CORTE NO VERÃO
Criar gado de corte no verão brasileiro exige um equilíbrio delicado: ao mesmo tempo que as pastagens estão em seu pico de crescimento devido às chuvas, o calor intenso impõe um desafio fisiológico enorme aos animais.
Em janeiro de 2026, com a previsão de um verão de altas temperaturas, o foco do pecuarista deve ser mitigar o estresse térmico para não perder o ganho de peso que a fartura de capim proporciona.
Aqui está o guia técnico para o manejo de sucesso nesta estação:
🌡️ 1. Controle do Estresse Térmico
O gado de corte, especialmente o de origem europeia (como o Angus), sofre quando a temperatura ultrapassa os 25°C – 30°C. Animais sob estresse térmico comem menos e gastam energia tentando se resfriar (ofegando).
- Sombreamento: Essencial. A sombra reduz em até 50% a carga térmica sobre o animal. O ideal é a sombra natural (árvores), mas sombrites com 80% de retenção são ótimas alternativas.
- Água de Qualidade: No verão, o consumo de água aumenta entre 30% e 40%. Ela deve estar limpa, fresca e com fácil acesso. Beber água quente no cocho desestimula o animal e prejudica o ganho de carcaça.
- Manejo nas Horas Frescas: Vacinação, pesagem ou marcação devem ser feitas bem cedo ou ao final da tarde. Evite o curral entre as 10h e 16h.
🌿 2. Manejo Intensivo de Pastagens
O verão é a época das “águas”, onde o capim cresce rápido. O erro comum é deixar o pasto “passar do ponto” (ficar muito alto e fibroso).
- Pasto Rotacionado: É a melhor estratégia. Dividir o pasto em piquetes permite que o gado coma a forragem em seu melhor valor nutricional (folhas novas) e que a planta descanse para rebrotar.
- Adubação Estratégica: Aproveite o solo úmido para aplicar nitrogênio. Isso potencializa o crescimento e permite colocar mais cabeças por hectare sem degradar a terra.
- Altura de Entrada e Saída: Monitore a altura do capim. Se o boi comer até a raiz, o pasto demora a voltar; se deixar crescer demais, vira “taluda” e perde proteína.
🍽️ 3. Nutrição e Suplementação
Pasto verde tem muita água e proteína, mas pode faltar energia e minerais específicos.
- Sal Mineral Aditivado: Utilize suplementos com aditivos (ionóforos ou leveduras) que auxiliam a microbiota ruminal, melhorando a digestão e reduzindo a produção de calor interno pelo animal.
- Ajuste da Dieta: Forneça a suplementação mais pesada (concentrados) preferencialmente no final da tarde, para que o pico de calor da digestão não coincida com o pico de calor do sol.
- Controle de Parasitas: O calor e a umidade são o paraíso para carrapatos e moscas-do-chifre. Mantenha o protocolo sanitário em dia, pois o incômodo dos parasitas aumenta o estresse térmico.
📊 Painel de Desempenho: Verão 2026
| Ação de Manejo | Impacto Esperado | Prioridade |
| Sombra abundante | Ganho de +200g/dia/animal | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Suplementação Mineral | Melhor conversão alimentar | ⭐⭐⭐⭐ |
| Água limpa e fresca | Mantém o consumo de matéria seca | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Controle de Carrapatos | Evita a perda de sangue e energia | ⭐⭐⭐⭐ |
💡 Dica de Ouro: Raças Adaptadas
Se você está em regiões de calor extremo, o cruzamento industrial é seu melhor amigo. Raças como o Senepol, o Brahman ou o Nelore (Zebuínos) possuem mais glândulas sudoríparas e pelos curtos, dissipando calor muito melhor que as raças taurinas puras.



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