Governo monta “operação de guerra” para salvar indicação de Jorge Messias ao STF e evitar derrota histórica no Senado
Com resistência aberta de Davi Alcolumbre e da oposição, Planalto avalia trocar articulação política e intensifica o “tête-à-tête” com senadores indecisos.
Por Luís Ricardo Garcia Sapia 30 de novembro de 2025
BRASÍLIA – O Palácio do Planalto deflagrou nas últimas 24 horas uma estratégia de emergência para blindar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de um cenário hostil no Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), manobra para dificultar a aprovação, o governo Lula admite nos bastidores que, se a votação fosse hoje, o nome de Messias correria sério risco de rejeição.
A indicação de Messias, oficializada pelo presidente Lula para a vaga de Luís Roberto Barroso, esbarrou em um muro de insatisfação política que vai muito além da oposição ideológica.
O Fator Alcolumbre
O principal obstáculo atende pelo nome de Davi Alcolumbre. O presidente do Senado, que trabalhava nos bastidores pela indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), recebeu a escolha de Messias como uma afronta pessoal e política.
Em resposta, Alcolumbre acelerou o rito da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), encurtando o tempo que o governo teria para negociar votos e cargos. A estratégia do senador amapaense é clara: criar um ambiente de “tudo ou nada” rápido, onde a insatisfação represada dos senadores com o governo possa desaguar em um voto contrário no plenário.
A Estratégia de Salvamento
Para evitar o que seria a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de um século – um desastre político para qualquer presidente –, o governo traçou três linhas de ação imediatas:
- Mudança na Articulação: Há uma fritura pública do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Avalia-se que Wagner não conseguiu conter a insatisfação da base aliada e perdeu a interlocução fluida com Alcolumbre. O Planalto cogita uma troca ou uma intervenção direta de ministros palacianos na negociação.
- Varejo Político: Jorge Messias foi orientado a iniciar um “beija-mão” intensivo. Ele tem percorrido gabinetes de senadores, inclusive da oposição e da bancada evangélica (explorando sua fé batista), para tentar virar votos no “um a um”, prometendo um gabinete de portas abertas.
- O Custo da Ruptura: Emissários de Lula têm enviado recados duros a Alcolumbre: rejeitar Messias seria cruzar o Rubicão, um “caminho sem volta” que congelaria as relações institucionais e o atendimento aos pleitos do Senado pelo Executivo. O governo aposta que Alcolumbre, pragmático, não vai querer carregar o peso de uma guerra total contra o Planalto.
O Risco Real
Para ser aprovado, Messias precisa de 41 votos favoráveis dos 81 senadores (maioria absoluta). Contagens extraoficiais da oposição apontam que já haveria cerca de 30 a 35 votos contrários consolidados. Isso deixa o governo com uma margem de erro perigosamente estreita, dependendo de senadores do “Centrão” que, neste momento, estão mais leais a Alcolumbre do que a Lula.
A semana que se inicia será decisiva. Se o governo não conseguir estancar a sangria e acalmar os ânimos do Senado, Jorge Messias pode entrar para a história não como ministro do Supremo, mas como o pivô da maior derrota legislativa do terceiro mandato de Lula.



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