Monza venezuelano: conheça a história do carro que é melhor que brasileiro
A história do Monza Venezuelano é um dos episódios mais curiosos da indústria automobilística brasileira. Em 1989, um lote de cerca de 416 a 570 unidades produzidas na Venezuela “repatriou” para o Brasil em uma operação secreta, driblando a proibição de importações que vigia na época.
Mas por que ele é considerado por muitos entusiastas como “melhor” que o nacional? A resposta está na mistura de componentes europeus, luxo americano e acabamento local.
🇻🇪 A Origem: Por que ele veio para o Brasil?
No final da década de 80, a Venezuela enfrentava uma crise econômica severa e a General Motors local tinha um estoque excedente de Monzas acumulados. Ao mesmo tempo, no Brasil, a fila de espera pelo Monza era enorme.
Como a importação era proibida, a GM trouxe os carros desmontados ou em caráter excepcional, “nacionalizando-os” com números de chassi brasileiros para que pudessem ser vendidos nas concessionárias daqui como se fossem fabricados em São Caetano do Sul.
💎 As Diferenças: O que o tornava “Superior”?
Embora o motor e o câmbio fossem os mesmos (família II da GM), o Monza venezuelano utilizava componentes que o colocavam um degrau acima em refinamento:
- Acabamento Interno: Enquanto o Monza brasileiro usava veludo, a versão venezuelana Classic SE vinha com bancos de couro legítimo de altíssima qualidade, algo raríssimo em carros nacionais da época. Os forros de porta também tinham desenho e materiais exclusivos.
- Influência Americana: Na Venezuela, o gosto automotivo era muito alinhado aos EUA. Por isso, quase todos os Monzas de lá vinham com câmbio automático de 3 marchas e ar-condicionado de série, mesmo nas versões menos luxuosas.
- Componentes Europeus: Alguns itens, como o painel de instrumentos, eram importados da Alemanha (da Opel), apresentando grafismos e precisão superiores.
- Vidros e Rodas Locais: Os vidros eram fabricados pela PPG na Venezuela e tinham uma tonalidade diferente. As rodas de liga leve também tinham desenhos que não existiam no catálogo brasileiro.
🚗 Versões Raras no Brasil
As unidades que chegaram ao solo brasileiro pertenciam principalmente a duas versões:
- Classic SE: O ápice do luxo, com o interior em couro marrom ou cinza, pintura saia-e-blusa (em alguns casos) e todos os opcionais elétricos.
- S/R (Esportivo): O hatch esportivo venezuelano trazia as famosas rodas “ralinho” com acabamento diferenciado e um acerto de suspensão levemente distinto.
📊 Comparativo Rápido
| Característica | Monza Brasileiro (1989) | Monza Venezuelano (1989) |
| Bancos | Veludo Navalhado | Couro Legítimo (Classic SE) |
| Ar-condicionado | Opcional caro | Série (na maioria das unidades) |
| Vidros | Nacionais (Blindex/Fanavid) | Venezuelanos (PPG) |
| Câmbio | Manual 5 marchas (padrão) | Automático 3 marchas (padrão) |
| Desembaçador Traseiro | Comum | Inexistente (pelo clima quente de lá) |
🔍 Como identificar um?
Se você encontrar um Monza 1989/1990 e notar que ele não tem desembaçador traseiro (os fios térmicos no vidro), tem bancos de couro com padrão diferente e a etiqueta na coluna da porta diz “Hecho en Venezuela”, você está diante de uma raridade histórica.



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