Escândalo no Nióbio: Ministério Autua Cadeia de Transporte da CBMM por Trabalho Escravo

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Fiscalização do Trabalho flagra condições degradantes em motoristas terceirizados que transportam minério em Minas Gerais; gigante de Araxá responde por responsabilidade solidária.

Por Redação BSNotícias

A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial na produção de nióbio, está no centro de uma grave autuação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Auditores-fiscais flagraram condições análogas à escravidão na cadeia de transporte de minério, envolvendo motoristas de empresas terceirizadas que prestam serviço exclusivo para a mineradora em solo mineiro.

O Foco da Infração: A Exaustão no Volante

Diferente dos casos tradicionais em frentes de lavra, a autuação em questão foca na logística de escoamento. Segundo o relatório da fiscalização, os trabalhadores eram submetidos a:

  • Jornadas de Trabalho Intermináveis: Motoristas eram compelidos a dirigir por períodos que ignoram o tempo de descanso obrigatório, visando metas de entrega agressivas.
  • Alojamentos Precários: Falta de pontos de apoio dignos para pernoite e higiene pessoal durante as rotas de transporte entre Araxá e os portos de exportação.
  • Risco à Segurança Pública: A fadiga extrema dos condutores de carretas carregadas de minério foi classificada pelos auditores como um perigo iminente de acidentes graves nas rodovias.

O Peso do “ESG” e a Responsabilidade Solidária

A legislação brasileira estabelece que a empresa tomadora do serviço (neste caso, a CBMM) é corresponsável pelo que ocorre em sua cadeia produtiva. Para uma companhia que exporta para os setores aeroespacial e automobilístico global, a denúncia fere os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança), critérios fundamentais para investidores internacionais.

Especialistas do setor alertam que o nióbio “sujo” por violações de direitos humanos pode enfrentar barreiras comerciais na Europa e nos Estados Unidos, onde a rastreabilidade da matéria-prima é exigência contratual.

Posicionamento e Desdobramentos

A CBMM, em nota, costuma reforçar que possui códigos de conduta rígidos para fornecedores e que realiza auditorias periódicas. No entanto, o Ministério do Trabalho sustenta que a fiscalização da contratante falhou ao permitir que o transporte do minério fosse realizado sob tais condições.

As empresas transportadoras envolvidas podem ser incluídas na “Lista Suja” do trabalho escravo, o que acarreta o bloqueio de financiamentos em bancos públicos e multas severas. Os motoristas resgatados estão recebendo assistência jurídica e as verbas rescisórias devidas.


O BSNotícias seguirá acompanhando o caso e traz novas atualizações assim que a mineradora e as transportadoras apresentarem suas defesas oficiais.

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