Ouro Doce no Campo: Como a Plantação de Mexerica se Consolida como Negócio Altamente Lucrativo no Agro
Da Redação — A citricultura brasileira vai muito além da tradicional produção de laranja para a indústria de suco. Nos últimos anos, a plantação de mexerica (tangerina) tem se destacado como uma alternativa altamente rentável para pequenos, médios e grandes produtores rurais. Com foco voltado quase que exclusivamente para o mercado de fruta de mesa (consumo in natura), o cultivo atrai investidores devido à forte demanda interna, excelente aceitação popular e margens de lucro atrativas por hectare.
No entanto, para transformar o pomar em um negócio de sucesso, o produtor precisa ir além do manejo básico. A escolha das variedades corretas, o planejamento do período de colheita e o combate rigoroso a pragas são os pilares que definem a sustentabilidade financeira da lavoura.
🍊 As Variedades Mais Cultivadas e o Calendário de Safra
Uma das grandes vantagens da plantação de mexerica é a possibilidade de escalonar a produção. Utilizando diferentes variedades no mesmo imóvel rural, o agricultor consegue colher e abastecer o mercado durante quase o ano todo, fugindo da concentração da safra e obtendo melhores preços.
- Ponkan: É a preferida do consumidor brasileiro e a mais plantada no país. Possui casca fácil de descascar, gomos que se soltam facilmente e sabor muito doce. Sua colheita concentra-se entre os meses de maio e agosto.
- Mexerica do Rio: Muito aromática, de casca fina e gomos ricos em suco, tem grande apelo no mercado de feiras livres. A colheita ocorre de abril a junho.
- Murcott (Tangergyna): Na verdade, trata-se de um híbrido entre tangerina e laranja doce. É muito valorizada pela indústria e pelo comércio por sua excelente durabilidade pós-colheita e alto teor de açúcar. Por ser uma variedade tardia, é colhida entre agosto e novembro, preenchendo a entressafra das outras variedades.
🌱 Exigências Técnicas para a Implantação do Pomar
O sucesso de uma plantação de mexerica começa muito antes do plantio das mudas. A cultura exige condições específicas de clima e solo para atingir seu potencial máximo:
- Clima e Solo: As plantas se desenvolvem melhor em regiões de clima ameno a quente, necessitando de boa luminosidade para a coloração e doçura dos frutos. O solo ideal deve ser profundo, bem drenado (para evitar o apodrecimento das raízes) e rico em matéria orgânica.
- Mudas Certificadas: O maior erro de um produtor iniciante é economizar na compra de mudas. É obrigatório adquirir mudas certificadas por órgãos oficiais, produzidas em ambiente protegido (viveiros telados), garantindo que o material venha livre de doenças fatais como o Greening (Candidatus Liberibacter) e o Cancro Cítrico.
- Espaçamento e Irrigação: Os espaçamentos mais utilizados variam de 6×3 metros a 5×2 metros, dependendo do maquinário utilizado na propriedade. Embora a cultura resista a períodos de seca, a irrigação por gotejamento ou microaspersão é fundamental para garantir a uniformidade dos frutos e evitar a queda de flores e pequenas mexericas.
🛡️ O Grande Desafio: O Manejo Fitossanitário
Atualmente, o maior desafio dos citricultores atende pelo nome de Greening (HLB). Transmitida pelo inseto vetor Diaphorina citri (um minúsculo psilídeo), a doença não tem cura e destrói o pomar progressivamente, secando os ramos e tornando os frutos amargos e deformados.
Para proteger o investimento, a plantação exige monitoramento constante, uso de armadilhas amarelas para identificar o vetor, pulverizações rigorosas no momento correto e a eliminação imediata de plantas que apresentem sintomas da doença. O controle integrado de pragas, que inclui também o combate à mosca-das-frutas e aos ácaros da ferrugem, é o que garante a qualidade estética exigida pelas redes de supermercados.
💰 Retorno Financeiro e Mercado
O pico de produção de um pé de mexerica acontece a partir do quinto ou sexto ano após o plantio, mas a colheita comercial começa a dar os primeiros retornos já a partir do terceiro ano. Um pomar bem conduzido e irrigado pode atingir produtividades superiores a 30 a 40 toneladas por hectare.
Como o destino principal é o mercado de mesa, o cuidado na colheita (que deve ser feita manualmente, cortando o pedúnculo com tesoura para não ferir a casca) garante que o produtor consiga comercializar a caixa por valores significativamente superiores aos pagos pela indústria de suco de laranja espremido, tornando a cultura uma das joias da fruticultura nacional.



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