Problema de rico? Aston Martin faz recall ‘raríssimo’ de hipercarro de R$ 20 milhões por defeito nos freios
Esse é o legítimo “problema de rico”, e bota rico nisso! O caso envolve o espetacular Aston Martin Valkyrie, um hipercarro com motor V12 de 1.155 cv inspirado na Fórmula 1 que custa cerca de 3,5 milhões de dólares (o que dá os aproximados R$ 20 milhões na conversão direta).
A Aston Martin emitiu um recall global extremamente inusitado e ultra-exclusivo. Para você ter uma ideia de quão raro é o problema, nos Estados Unidos inteiro apenas 7 carros foram afetados.
O defeito é fascinante pela complexidade mecânica e pelas condições absurdas que o proprietário precisa atingir para que o carro corra risco de pegar fogo.
O “Alinhamento de Planetas” para o defeito acontecer
O problema está nas vedações do cilindro mestre do freio (fornecido pela Alcon Components). O sistema original de freios do Valkyrie não foi projetado pensando na interferência do Controle de Estabilidade (ESP) e do Controle de Tração em condições extremas de pista.
Para o carro apresentar a falha e correr o risco de incêndio na traseira, o dono precisa cumprir 6 condições simultâneas:
- 1. O carro precisa ter o pacote opcional de suspensão de pista (AMR Track Performance Pack).
- 2. O modo de condução deve estar em ESP Sport, ESP Track ou totalmente desligado.
- 3. O motorista precisa estar andando em uma velocidade muito alta e colocar o hipercarro de lado (em estado de derrapagem controlada/drift), superando um ângulo específico de guinada.
- 4. O piloto precisa aplicar o contraesterço (virar o volante para o lado oposto da curva) de forma tão agressiva que o sistema eletrônico decida intervir ativamente travando as rodas internas.
- 5. Ao mesmo tempo, o condutor deve estar pisando fundo no acelerador.
- 6. E exatamente nesse milésimo de segundo em que a eletrônica e o pé no acelerador estão brigando, o piloto precisa socar o pé no pedal de freio com força total (como em uma frenagem de emergência).
O resultado do caos: Se o bilionário conseguir fazer tudo isso ao mesmo tempo na pista, a vedação do freio se deforma. O fluido de freio fica preso na linha e não retorna para o reservatório. Com o freio traseiro “preso” e raspando a mais de 200 km/h, a temperatura sobe tanto que pode incendiar a resina da conduta de fibra de carbono que refria os freios traseiros.
Por que ninguém vai se acidentar na rua?
A própria fabricante acalmou os donos avisando que é impossível reproduzir essa falha em estradas públicas. As forças laterais e as velocidades necessárias para o carro entrar nesse ângulo de derrapagem só são alcançadas em circuitos fechados.
Além disso, o Valkyrie usa um sistema de freio diagonal duplo. Se um circuito falhar por excesso de pressão, o outro continua funcionando perfeitamente para parar o carro com segurança.
A Aston Martin já desenvolveu um novo cilindro mestre redesenhado e vai trocar a peça de graça para os seletos afetados. O serviço leva cerca de 5 horas. É o preço de se construir um autêntico Fórmula 1 feito para as ruas!



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