FBI e Departamento de Justiça dos EUA investigam contas da Federação Argentina de Futebol (AFA)
Em meio à disputa das quartas de final da Copa do Mundo de 2026, federação comandada por Claudio “Chiqui” Tapia entra no radar das autoridades americanas por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude bancária em transações que superam US$ 300 milhões.
Por: Redação BS Notícias Governador Valadares, 9 de julho de 2026
A Associação do Futebol Argentino (AFA) está oficialmente sob o microscópio da Justiça dos Estados Unidos. Em uma revelação bombástica trazida pelo jornal argentino La Nación nesta quarta-feira (8), agentes do FBI (o Bureau Federal de Investigação) e promotores do Departamento de Justiça norte-americano começaram a colher depoimentos e analisar movimentações financeiras milionárias operadas pela entidade em território estadunidense.
A investigação foca em um montante que supera a marca de US$ 300 milhões canalizados pelo sistema bancário americano. O objetivo principal das autoridades é apurar se os mecanismos de recebimento de contratos de patrocínios internacionais configuram crimes de lavagem de dinheiro ou fraude financeira sob a jurisdição dos EUA.
O Epicentro do Escândalo: A Conexão Flórida
De acordo com os documentos analisados pelos investigadores, o foco central das apurações preliminares — que começaram a tomar corpo ainda em 2025 — recai sobre a empresa TourProdEnter LLC, com sede na Flórida. A companhia pertence ao produtor teatral e ex-legislador argentino Javier Faroni e sua esposa, Erica Gillette.
A TourProdEnter atuava como a agência oficial de cobrança dos contratos internacionais da AFA no exterior. Por meio de contas abertas em cinco gigantes bancários americanos (Citibank, Synovus, Bank of America, JPMorgan Chase e PNC Bank), a empresa movimentou o dinheiro vindo de multinacionais de peso, como US$ 60 milhões da Adidas e US$ 40 milhões da Warner.
Os investigadores apontam duas grandes linhas de suspeita:
- Evitação cambial: Os contratos foram operados nos EUA em um período em que a Argentina sofria com rígidas restrições cambiais e múltiplas cotações de dólar interno.
- Repasses sem justificativa: Auditorias bancárias revelaram que, enquanto uma parcela cobria despesas operacionais da AFA, cerca de US$ 57 milhões foram distribuídos para empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara. Algumas dessas contas pertenciam a indivíduos de baixa renda cadastrados em programas de assistência social na Argentina.
Depoimentos e Desdobramentos Políticos
A investigação é encabeçada por três promotores federais proeminentes de Washington, D.C. e do Distrito Sul da Flórida, incluindo especialistas da Unidade de Integridade Bancária e de crimes de colarinho branco do governo americano.
Os agentes já realizaram videoconferências formais de tomadas de depoimento com o empresário Guillermo Tofoni, CEO da World Eleven (empresa licenciada pela FIFA para organizar amistosos), que possui um histórico de embates jurídicos e denúncias contra a atual gestão da AFA por quebra de exclusividade e suposta corrupção.
O cerco também promete balançar a política da Casa Rosada. O FBI avalia convocar ex-funcionários do governo do presidente Javier Milei que faziam o controle ou tinham acesso a informações fiscais e de auditoria sobre a federação de futebol nos últimos meses.
Clima tenso nos bastidores da Copa
O escândalo explode no pior momento político possível para o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia. Além de já enfrentar processos internos na Argentina por suposta fraude fiscal, a notícia vem a público exatamente na semana em que a seleção argentina se prepara para enfrentar a Suíça, no próximo sábado, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.
A repercussão ganha contornos ainda mais dramáticos no ambiente esportivo, visto que a classificação da Argentina nas oitavas de final ocorreu sob uma avalanche de protestos da Federação Egípcia, que acusou formalmente a arbitragem de beneficiar os sul-americanos na polêmica vitória por 3 a 2.
Até o momento, a AFA não emitiu nenhum comunicado oficial sobre as investigações em solo americano. O processo corre em fase de instrução e levantamento de provas documentais, mas coloca uma sombra de incerteza sobre os bilionários contratos comerciais da atual campeã do mundo nos Estados Unidos.



Publicar comentário