Transição Seca-Águas: Estratégias Nutricionais Evitam Quebra de Peso no Rebanho Bovino
O “capim novo” tem alto teor de água e pouca matéria seca, exigindo manejo correto de suplementação mineral e proteica para impedir perdas no ganho de arrobas durante a retomada das pastagens
A chegada das primeiras chuvas de primavera traz alívio visual imediato ao pasto, que rapidamente volta a esverdear. No entanto, para a pecuária de corte e leite, o período de transição entre o final da estiagem e o início pleno das águas exige atenção redobrada dos produtores. O alerta dos zootecnistas é direto: o verde que enche os olhos nem sempre sustenta o ganho de peso do gado.
Esse fenômeno, conhecido no meio rural como “ilusão do capim verde”, acontece porque as primeiras brotações das forrageiras apresentam teor de umidade extremamente elevado (frequentemente acima de 80% a 85%) e baixo teor de matéria seca efetiva. O bovino enche o rúmen rapidamente com volume e água, tem sensação de saciedade, mas consome pouca energia real e pouca fibra efetiva, o que pode causar diarreias mecânicas e até perda de peso corporal nas primeiras semanas.
Ajuste fino no cocho de suplementação
Para evitar que o rebanho sofra oscilações na balança e garantir que o animal aproveite a retomada das pastagens, o manejo nutricional deve ser ajustado em etapas:
- Transição gradual de suplementos: Não se deve cortar subitamente a suplementação de seca. Recomenda-se manter o fornecimento de proteinados ou rações de transição até que a pastagem atinja altura de entrada e densidade foliar adequadas.
- Uso de aditivos ruminais: A inclusão de tamponantes, leveduras e ionóforos (como a monensina sódica) na mistura mineral ajuda a estabilizar o pH do rúmen, controlando fermentações ácidas e prevenindo distúrbios digestivos decorrentes da ingestão do rebrote tenro.
- Manejo de altura do pasto: Evitar colocar a lotação máxima de animais nos piquetes recém-brotados antes que o capim atinja o ponto ideal de pastejo. O pastejo precoce e excessivo arranca a planta pela raiz e atrasa a recuperação estrutural da pastagem para os meses de verão.
A gestão eficiente dessa fase garante que o rebanho entre no auge das águas com metabolismo adaptado, acelerando o ganho médio diário (GMD) e encurtando o ciclo de engorda rumo ao abate ou à produção leiteira.



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