Ministério Público do Chile pede 22 anos de prisão para o ex-jogador Jorge Valdivia por crimes sexuais
O cerco judicial em torno de Jorge Valdivia ganhou contornos ainda mais graves. A Fiscalía Metropolitana Oriente, órgão do Ministério Público do Chile responsável pela condução das investigações contra o ex-meia do Palmeiras e da seleção chilena, protocolou formalmente a acusação e solicitou uma condenação de 22 anos de prisão em regime fechado para o ex-atleta, denunciado por múltiplos crimes sexuais.
O pedido da promotoria marca o encerramento da fase preliminar de inquérito e formaliza a abertura do caminho para o julgamento oral (juicio oral), etapa definitiva do rito processual penal chileno, onde serão apresentadas testemunhas, perícias e evidências reunidas pelas autoridades.
Detalhamento da pena solicitada pela Fiscalía
A soma de 22 anos requerida pela Fiscalía Metropolitana Oriente contempla duas acusações formais distintas de violação (estupro) envolvendo duas vítimas:
- Primeiro caso: Refere-se à denúncia de uma tatuadora, que apontou ter sido violentada pelo ex-jogador após um encontro em um restaurante no bairro de Providencia, em Santiago. Para este fato, a acusação pediu pena de 12 anos de reclusão.
- Segundo caso: Decorre do depoimento de uma segunda mulher, que formalizou queixa relatando ter sido abusada em circunstâncias semelhantes poucos dias antes do primeiro episódio. Para esta denúncia, os promotores pedem 10 anos de reclusão.
Ao consolidar as duas imputações criminais em uma única peça acusatória, o Ministério Público chileno reforça a tese de reiteração de conduta e gravidade extrema, descartando a possibilidade de penas alternativas ou cumprimento em regime aberto.
Do presídio de Rancagua à expectativa do julgamento oral
O avanço do processo ocorre após semanas turbulentas na rotina do ex-atleta de 43 anos. Valdivia chegou a cumprir quase duas semanas de prisão preventiva no Centro Penitenciário de Rancagua, mas obteve a revogação da prisão preventiva na Corte de Apelações de Santiago, passando a cumprir medidas cautelares severas: prisão domiciliar noturna (das 22h às 6h), retenção de passaporte com proibição expressa de deixar o país (arraigo nacional) e ordem de afastamento total das denunciantes.
A defesa técnica do ex-jogador mantém a posição de inocência, contestando a versão apresentada pelas denunciantes e sustentando que todas as relações mantidas foram de comum acordo e consensuais. Com a acusação formalizada pelo Ministério Público, os advogados de Valdivia apresentarão a defesa prévia antes da audiência de preparação do julgamento, na qual o tribunal definirá quais provas e depoimentos serão admitidos em plenário.
A carreira vitoriosa nos gramados — com duas Copas do Mundo disputadas pelo Chile, o título da Copa América de 2015 e duas passagens emblemáticas pelo Palmeiras, onde ergueu a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista — segue completamente em segundo plano diante daquele que já se configura como o capítulo mais dramático e delicado de sua trajetória pessoal.



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