Alerta na Saúde: Queda na Cobertura Vacinal Acende Sinal Amarelo para o Avanço da Caxumba

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Uma doença antiga e bastante conhecida dos brasileiros voltou a preocupar as autoridades de saúde pública neste ano. O recente aumento de casos de caxumba em estados como o Rio de Janeiro — onde os registros praticamente dobraram no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao ano passado — acendeu o sinal de alerta para a importância de manter a caderneta de vacinação em dia.

Também conhecida popularmente como “papeira” ou parotidite infecciosa, a caxumba é uma infecção viral aguda altamente contagiosa. Embora seja vista por muitos como uma “doença boba de criança”, médicos alertam que a falta de imunização pode abrir espaço para complicações severas, especialmente em adolescentes e adultos.

O Alvo do Vírus: Sintomas e Transmissão

O vírus da caxumba (do gênero Paramyxovirus) ataca principalmente as glândulas salivares, com um foco muito claro nas parótidas, que ficam localizadas logo abaixo e à frente das orelhas.

O contágio acontece de forma direta e rápida, semelhante ao da gripe: através de gotículas de saliva expelidas ao falar, tossir, espirrar ou pelo compartilhamento de talheres, copos e objetos contaminados. O período de incubação — tempo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos primeiros sinais — varia de 12 a 25 dias.

Os principais sintomas incluem:

  • Inchaço e dor característicos nas laterais do rosto (podendo afetar um ou os dois lados);
  • Febre, calafrios e dor de cabeça;
  • Dor intensa ao mastigar ou engolir, principalmente alimentos ácidos;
  • Fadiga, perda de apetite e mal-estar geral.

O Perigo das Complicações: “A Caxumba Desceu?”

A sabedoria popular costuma alertar que a caxumba pode “descer” caso o paciente não faça repouso. Clinicamente, essa expressão faz todo o sentido. O vírus tem uma forte atração por tecidos glandulares e pelo sistema nervoso central. Quando a infecção se espalha, ela pode causar:

  • Orquite: Inflamação dos testículos, que acomete até um terço dos homens adultos que contraem a doença sem vacinação, podendo, em casos mais graves, afetar a fertilidade.
  • Ooforite e Mastite: Inflamação dos ovários (causando forte dor abdominal) ou das mamas em mulheres.
  • Meningite viral e Encefalite: Casos em que o vírus atinge as membranas que revestem o cérebro ou o próprio órgão, exigindo internação imediata.
  • Perda auditiva: Surdez parcial ou total, que costuma ser temporária, mas pode se tornar permanente.

Como se trata de uma doença viral, não existe um remédio específico para curar a caxumba. O tratamento consiste estritamente em aliviar os sintomas com analgésicos, antitérmicos, repouso absoluto, hidratação constante e uma dieta pastosa para evitar o esforço da mastigação. O isolamento do paciente por pelo menos 5 dias após o início do inchaço é fundamental para frear o contágio.

A Única Barreira: Vacinação Abaixo da Meta

O principal motivo para a volta da caxumba aos holofotes epidemiológicos é o relaxamento com a cobertura vacinal. A meta estipulada pelo Ministério da Saúde é de 95% de cobertura, mas os índices atuais em várias regiões do país têm patinado abaixo dos 80% na segunda dose.

A prevenção é simples, gratuita e está disponível em qualquer posto de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) ou da Tetraviral (que inclui a catapora). O esquema padrão do Calendário Nacional de Vacinação consiste em duas doses:

  1. Primeira dose: Aos 12 meses de idade.
  2. Segunda dose: Aos 15 meses de idade.

Crianças mais velhas, adolescentes e adultos até 59 anos que perderam o prazo ou não têm comprovação de vacinação na carteirinha também devem procurar os postos para atualizar as doses. Diante de ambientes fechados ou períodos de clima seco, a imunização segue sendo o único escudo eficiente para evitar que uma velha conhecida se transforme em um novo problema de saúde pública.

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