Bioinsumos em pastagens: fixação biológica de nitrogênio ganha espaço na pecuária e corta custos com adubo químico

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Associação de bactérias promotoras de crescimento às forrageiras aumenta volume de massa verde por hectare e reduz dependência de fertilizantes nitrogenados caros.

O uso de bioinsumos na agricultura brasileira consolidou-se como referência mundial no cultivo da soja, mas uma nova fronteira dessa tecnologia biológica avança em ritmo acelerado dentro da porteira: as pastagens cultivadas. Com a oscilação constante nos preços dos fertilizantes químicos à base de ureia e nitrato de amônio, pecuaristas intensificam a aplicação de inoculantes microbianos, em especial linhagens de Azospirillum brasilense, para nutrir capins dos gêneros Brachiaria e Panicum.

Essas bactérias atuam de forma simbiótica no sistema radicular das gramíneas. Além de capturarem o nitrogênio atmosférico e convertê-lo em formas assimiláveis pela planta, estimulam a produção natural de hormônios vegetais, como as auxinas, promovendo o aprofundamento das raízes.

Raízes profundas e maior tolerância a veranicos

Um dos principais benefícios práticos observados no campo é o desenvolvimento radicular vigoroso. Pastagens inoculadas conseguem explorar camadas mais profundas do solo, absorvendo água e micronutrientes em períodos de estiagem curta (os chamados veranicos). Isso mantém a brotação verde ativa por mais tempo durante a transição para o período seco.

Pesquisas da Embrapa e ensaios de campo mostram que o manejo correto da inoculação biológica associada à adubação de base pode gerar incrementos de 15% a 25% na produção de matéria seca por hectare, viabilizando maiores taxas de lotação animal por unidade de área sem degradar o solo.

Cuidados na aplicação prática

Para garantir a sobrevivência das bactérias, a aplicação deve respeitar critérios rigorosos de temperatura e umidade:

  • Armazenamento: Os produtos biológicos devem ser mantidos em locais frescos e abrigados do sol direto antes do uso.
  • Momento da pulverização: Aplicações foliares ou via semente devem ocorrer em horários de temperaturas amenas, preferencialmente no final da tarde ou em dias nublados.
  • Compatibilidade de calda: Evitar misturas em tanque com defensivos de ação bactericida ou formulações incompatíveis que possam inviabilizar os microrganismos vivos.

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