Da tradição dos tropeiros à taça: o segredo do vinho de jabuticaba e os sabores coloniais de Catas Altas
[CULTURA & GASTRONOMIA]
Bebida artesanal centenária, festivais de quitutes e o pastel de angu transformam o município histórico aos pés da Serra do Caraça em polo do turismo gastronômico mineiro.
Por Redação BS Notícias
18 de setembro de 2026
Quem desembarca em Catas Altas para apreciar a imponente arquitetura setecentista logo descobre que a alma da cidade se revela ao redor da mesa. Entre causos contados em calçadas de pedra e o aroma de café passado na hora, o município transformou a gastronomia artesanal e a sua produção secular de bebidas em atrações culturais de destaque na Estrada Real.
O protagonista indiscutível dessa experiência é o legítimo Vinho de Jabuticaba. A tradição nasceu ainda no século XIX, introduzida por padres e moradores locais como alternativa às uvas europeias, que não vingavam no clima da região. O fruto de casca negra encontrou no solo fértil da serra o ambiente perfeito para fermentar uma bebida encorpada, de cor rubi profunda e notas aromáticas marcantes, comercializada em adegas familiares e armazéns históricos espalhados pelo centro.
- Acompanhamentos de raiz: A rota gastronômica pelas ruelas coloniais convida a provar quitutes como o autêntico pastel de angu recheado com carne-seca ou queijo canastra, além do frango ao molho pardo e doces em compota apurados em tachos de cobre.
- Música e celebrações de rua: A cidade sedia anualmente a tradicional Festa do Vinho de Catas Altas, que reúne produtores locais, apresentações de MPB, viola caipira e oficinas abertas ao público sobre o método de fermentação do fruto.
Para quem busca uma sexta-feira de desaceleração e paladar apurado, Catas Altas comprova que tradição e boa culinária são formas vivas de arte.



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