El Niño acende alerta para a navegação no Arco Norte

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O fenômeno climático El Niño voltou a acender o sinal de alerta para a infraestrutura logística e o escoamento de grãos no Brasil, com foco principal nos portos do Arco Norte (que engloba terminais em estados como Pará, Amazonas, Amapá, Maranhão e Rondônia).

A principal preocupação do setor logístico e do agronegócio gira em torno do impacto que o fenômeno causa no regime de chuvas da Região Norte do país, afetando diretamente a navegabilidade dos rios.

Abaixo, veja os principais pontos que explicam essa dinâmica e os desafios para o setor:

1. O Fenômeno do “Calado Baixo” nos Rios

O El Niño historicamente provoca uma drástica redução nas chuvas na Região Norte e Nordeste do Brasil, acelerando o período de estiagem (seca). Com a falta de precipitações volumosas, o nível da água de rios cruciais para o transporte de cargas — como os rios Amazonas, Madeira e Tapajós — cai rapidamente.

Essa redução afeta o chamado calado (a profundidade em que o navio ou barcaça flutua na água). Quando os rios ficam muito rasos, as embarcações são obrigadas a navegar com capacidade reduzida para evitar o risco de encalhe nos bancos de areia.

2. Redução de Carga e Aumento de Custos

Para continuar navegando de forma segura durante o pico da seca provocada pelo El Niño, os comboios de barcaças que transportam soja e milho das regiões Centro-Oeste e Norte em direção aos portos oceânicos precisam reduzir o volume de carga por viagem em até 30% a 40%.

  • Impacto Econômico: Menos grãos por viagem significa que são necessárias mais viagens para escoar o mesmo volume de safra. Isso encarece o preço do frete hidroviário e pressiona as margens de lucro dos produtores e das tradings de grãos.

3. A Pressão sobre as Rotas Alternativas (Sul e Sudeste)

Nos últimos anos, o Arco Norte consolidou-se como uma das saídas mais eficientes e baratas para a produção agrícola brasileira, competindo diretamente com os tradicionais portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Quando a hidrovia do Norte entra em crise devido ao clima:

  • O fluxo de caminhões e trens precisa ser redirecionado às pressas para os portos do Sul e Sudeste.
  • Esse movimento repentino gera gargalos logísticos, filas de navios e aumento do frete rodoviário e ferroviário em todo o território nacional.

4. Medidas de Mitigação: Dragagem de Emergência

Para tentar conter o prejuízo e garantir o abastecimento e a exportação, governos e autoridades portuárias costumam acionar planos de contingência, que incluem a dragagem de emergência dos pontos mais críticos dos rios (remoção de areia e sedimentos do fundo do rio para aumentar a profundidade artificialmente). No entanto, a dragagem é um processo caro, demorado e que exige licenças ambientais complexas.

Análise Setorial O alerta serve como um lembrete de que a infraestrutura logística do Brasil, apesar dos avanços e recordes de exportação, ainda é altamente vulnerável a eventos climáticos extremos. O monitoramento contínuo dos níveis dos rios e a agilidade nas obras de manutenção das hidrovias são as únicas ferramentas capazes de evitar um apagão logístico no Norte do país quando o El Niño decide ditar as regras no clima.

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