GOLPE DA FIGURINHA
O mercado de colecionáveis, que ganha força com a proximidade de grandes eventos esportivos em 2026, também atrai a atenção de golpistas especializados em engenharia social. Um caso recente que viralizou nas redes sociais serve de alerta para colecionadores: um comprador teve um prejuízo de R$ 229,00 ao tentar adquirir figurinhas raras através de um perfil que parecia extremamente solícito e confiável.
O relato da vítima destaca uma tática comum: a construção de uma falsa autoridade e o uso de “provas sociais” para validar o crime.
A Estratégia do Golpe: “Ele Respondeu Tudo”
A vítima relatou que o perfil em questão apresentava uma estética profissional e, o mais importante, um atendimento impecável. O golpista utilizou as seguintes estratégias para baixar a guarda do comprador:
- Atendimento em Tempo Real: O vendedor respondia a todas as dúvidas técnicas sobre a raridade das figurinhas, numeração e estado de conservação, criando uma sensação de segurança.
- Prints de Depoimentos: O perfil exibia diversos “feedbacks” de supostos clientes satisfeitos e fotos de pacotes prontos para envio, o que gera confiança imediata.
- Uso de Urgência: Após conquistar o cliente, o golpista alegou que o lote era o último disponível por aquele preço, pressionando o pagamento imediato via Pix.
Assim que o valor de R$ 229 foi transferido, o comprador foi bloqueado e o perfil, que provavelmente já utilizava fotos e dados de terceiros, desapareceu ou mudou de nome.
O Perigo do Pix e da Rastreabilidade
Casos como este reforçam que, apesar da agilidade, o Pix exige cautela redobrada em transações com desconhecidos. Uma vez que o dinheiro sai da conta, a recuperação é complexa e depende do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, que só funciona se houver saldo na conta do golpista no momento da denúncia.
“A educação do comprador é a melhor barreira contra o crime digital. Golpistas investem tempo em responder e ser gentis justamente porque sabem que a educação gera confiança”, alertam especialistas em segurança digital.
Como se Proteger ao Comprar Colecionáveis
Para não se tornar a próxima vítima em grupos de troca ou perfis de redes sociais, siga estas recomendações:
- Fuja do Depósito Direto: Utilize plataformas de intermediação (como Mercado Livre ou Shopee) que garantem a retenção do dinheiro até que você confirme o recebimento do produto.
- Verifique a “Idade” do Perfil: Perfis criados recentemente ou que mudaram de nome de usuário muitas vezes nos últimos meses são sinais de alerta.
- Chamada de Vídeo: Se o item for caro ou raro, peça uma chamada de vídeo rápida para ver o produto em mãos e confirmar a identidade do vendedor.
- Pesquise o CPF/CNPJ: Antes de enviar o Pix, verifique se os dados do recebedor batem com o anunciado e faça uma busca rápida em sites de reclamação.
O prejuízo de R$ 229 pode parecer pequeno para alguns, mas a escala desses golpes nas redes sociais movimenta milhões anualmente, alimentando uma rede de fraudes cada vez mais sofisticada. Em 2026, com o aumento da digitalização do comércio, o lema para o colecionador deve ser: confiança se conquista com segurança, não apenas com palavras.



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