Grifes Mineiras são Autuadas por Trabalho Escravo em Oficinas de Costura

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Operação conjunta resgata imigrantes bolivianos em condições degradantes; fiscalização aponta responsabilidade solidária das marcas na cadeia de produção.

Por Redação BSNotícias

Uma operação de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio da Polícia Federal, flagrou condições de trabalho análogo à escravidão em oficinas de costura que atendiam grandes grifes do polo de moda de Minas Gerais. A ação resultou no resgate de trabalhadores, em sua maioria imigrantes de nacionalidade boliviana, que eram submetidos a jornadas exaustivas e ambientes insalubres.

O Cenário da Exploração

Segundo os auditores-fiscais, as oficinas funcionavam em locais que serviam simultaneamente como ambiente de trabalho e moradia. Entre as irregularidades constatadas, destacam-se:

  • Jornadas Exaustivas: Relatos de expedientes que superavam 14 horas diárias.
  • Servidão por Dívida: Retenção de pagamentos sob pretexto de custear moradia e alimentação.
  • Falta de Segurança: Instalações elétricas precárias e ausência de ventilação adequada.

Responsabilidade das Marcas

Embora as oficinas operassem de forma terceirizada, a legislação brasileira é clara quanto à responsabilidade solidária. As grifes contratantes são obrigadas a fiscalizar toda a sua cadeia produtiva. A autuação coloca essas empresas em risco de inclusão na chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, o que impede o acesso a créditos bancários e gera graves danos à reputação institucional (ESG).

Impacto no Setor Têxtil

Minas Gerais, reconhecida nacionalmente pela qualidade e design de sua moda, enfrenta agora o desafio de combater a precarização em seus bastidores. Especialistas do setor afirmam que a busca por custos de produção extremamente baixos acaba alimentando esse ciclo de exploração.

As marcas envolvidas ainda não se manifestaram oficialmente, mas o espaço segue aberto para os posicionamentos de defesa. Os trabalhadores resgatados foram encaminhados para abrigos e receberão o pagamento de verbas rescisórias, além do seguro-desemprego especial para vítimas de trabalho escravo.

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