Hipertensão silenciosa: 1 em cada 4 brasileiros convive com a doença sem diagnóstico

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Doença crônica não dá sinais claros na fase inicial, mas é a principal causa de infartos e AVCs; cardiologistas reforçam a necessidade de aferição periódica da pressão arterial.

CANAL SAÚDE | BS NOTÍCIAS

Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores desafios de saúde pública global, a hipertensão arterial atinge mais de 30% da população adulta no Brasil. O dado mais alarmante, contudo, é a taxa de subdiagnóstico: cerca de 25% dos portadores da condição desconhecem o próprio quadro clínico, convivendo com níveis pressóricos elevados sem qualquer intervenção médica.

O mito dos sintomas perceptíveis

A crença comum de que a pressão alta sempre se manifesta por meio de dor na nuca, tontura ou dor de cabeça é perigosa. Especialistas alertam que a hipertensão é uma patologia assintomática em grande parte de sua evolução. Quando sintomas agudos surgem, o organismo geralmente já está sob sobrecarga severa ou enfrentando uma crise hipertensiva.

Com o passar dos anos, o fluxo sanguíneo sob alta pressão lesiona a camada interna das artérias (endotélio), acelerando a formação de placas de gordura (aterosclerose) e enrijecendo os vasos. As consequências diretas incluem:

  • Infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou hemorrágico;
  • Perda progressiva da função renal, levando à hemodiálise;
  • Retinopatia hipertensiva, com perda gradual da visão.

Medição e metas ideais

A medição regular é a única forma eficaz de detecção precoce. Em adultos saudáveis, a pressão arterial deve ser aferida ao menos uma vez ao ano; para indivíduos com histórico familiar, sobrepeso ou idade acima de 40 anos, o monitoramento deve ser semestral ou trimestral.

O parâmetro de normalidade para adultos em repouso é de até 120/80 mmHg (o popular “12 por 8”). Valores mantidos a partir de 140/90 mmHg em aferições repetidas configuram diagnóstico de hipertensão.

Pilares de controle

  1. Redução drástica do sódio: O consumo médio do brasileiro supera 10 gramas de sal por dia, mais do que o dobro do teto de 5 gramas recomendado pela OMS. O corte deve focar principalmente em alimentos ultraprocessados (embutidos, temperos prontos, conservas e salgadinhos).
  2. Atividade física regular: Exercícios aeróbicos como caminhada rápida, corrida leve, ciclismo e natação por 150 minutos semanais reduzem a pressão basal de forma sustentada.
  3. Cessação do tabagismo e moderação alcoólica: A nicotina causa vasoconstrição imediata, enquanto o excesso de álcool eleva o tônus simpático e a resistência vascular.

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