Mau hálito em cães e gatos não é normal: doença periodontal atinge 80% dos pets adultos e põe coração e rins em risco
Muitos tutores encaram o “bafinho” de cães e gatos como uma característica natural da espécie, mas a medicina veterinária alerta: mau hálito persistente é o primeiro sintoma de inflamação e acúmulo bacteriano. Estudos odontológicos veterinários apontam que mais de 80% dos cães e 70% dos gatos com mais de três anos de idade já apresentam algum grau de doença periodontal, condição silenciosa que começa na gengiva e pode comprometer órgãos vitais.
O problema tem início com a formação da placa bacteriana após as refeições. Sem a devida higienização, essa placa mineraliza-se em contato com os sais da saliva, transformando-se no cálculo dentário (conhecido popularmente como tártaro). A partir daí, instala-se um processo inflamatório crônico que ultrapassa os limites da boca.
Do tártaro à falência de órgãos: o perigo invisível
A gengivite e o tártaro não causam apenas desconforto ao mastigar ou perda precoce dos dentes. A gengiva inflamada torna-se uma porta de entrada direta para a corrente sanguínea.
- Lesões cardíacas (endocardiose): Bactérias que habitam a placa bacteriana migram pelos vasos e podem se fixar nas válvulas cardíacas, provocando infecções graves que levam à insuficiência cardíaca crônica.
- Sobrecarga renal e hepática: Os rins e o fígado trabalham constantemente para filtrar as toxinas e bactérias decorrentes da infecção bucal. Em animais idosos, essa sobrecarga é um dos principais fatores para a evolução rápida da doença renal crônica.
- Dor silenciosa e alterações de humor: Animais raramente param de comer por dor leve; eles costumam engolir o alimento sem mastigar, demonstrando irritabilidade, apatia ou isolamento que os tutores muitas vezes confundem com “sinais da idade”.
Como prevenir no dia a dia
Veterinários reforçam que a prevenção exige constância e métodos adequados:
- Escovação diária: É o padrão ouro. Deve ser feita com escovas macias ou dedeiras e, obrigatoriamente, com pastas de dente de uso exclusivamente veterinário (as pastas humanas contêm flúor e xilitol, altamente tóxicos para pets).
- Alimentos e petiscos funcionais: Biscoitos dentais, brinquedos de borracha texturizada e petiscos com certificação veterinária ajudam na remoção mecânica parcial da placa durante a mastigação.
- Aditivos na água de beber: Soluções antissépticas específicas para pets diluídas na água auxiliam no controle da proliferação bacteriana, funcionando como complemento à escovação.
- Tratamento periodontal (tartarectomia): Quando o tártaro já se consolidou, apenas a limpeza profissional em clínica veterinária, sob anestesia inalatória segura e monitorada, consegue remover as placas subgengivais e salvar a dentição do animal.
Incluir a inspeção da boca na rotina de carinhos do pet — observando se há gengivas avermelhadas, sangramentos ou dentes escurecidos — é o caminho mais eficaz para garantir longevidade e bem-estar ao animal de estimação.



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