O Segredo no Pasto: Conheça os Melhores Tipos de Capim para Engordar Boi e Acelerar o Ganho de Peso

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A escolha correta da forrageira, aliada à adubação e ao manejo de pastejo rotacionado, é o caminho mais econômico para reduzir o ciclo da pecuária de corte e elevar o rendimento de carcaça

Na pecuária de corte brasileira, a máxima continua mais verdadeira do que nunca: a carne se produz a pasto. Com os custos elevados de rações concentradas e confinamento, a pastagem permanece como a fonte de nutrientes mais barata e eficiente para a nutrição de bovinos. No entanto, o sucesso do ganho de peso diário (GMD) do rebanho depende diretamente da escolha assertiva da forrageira para cada tipo de solo, relevo e clima da propriedade.

Especialistas e pesquisadores da Embrapa Gado de Corte destacam que não existe um “capim milagroso”, mas sim a variedade ideal para cada nível de investimento e manejo técnico adotado pelo pecuarista.

Principais variedades para engorda acelerada

1. Linha Panicum maximum (Mombaça, Zuri e Tamani): Alta Lotação e Desempenho

As forrageiras do gênero Panicum são as preferidas de pecuaristas que trabalham com sistemas intensivos e buscam taxas elevadas de ganho de peso por hectare.

  • Capim-Mombaça: É amplamente reconhecido pela altíssima produtividade de massa verde e excelente teor de proteína bruta. Exige solos de média a alta fertilidade e adubação constante, respondendo com excelência em sistemas de pastejo rotacionado e irrigado.
  • BRS Zuri: Destaca-se pelo porte cespitoso, alto valor nutritivo e notável resistência à cigarrinha-das-pastagens e à mancha foliar provocada pelo fungo Bipolaris maydis.
  • BRS Tamani: Com porte menor, folhas finas e abundantes, apresenta altíssima digestibilidade e facilidade de consumo pelo animal, sendo muito indicado tanto para recria quanto para fases de terminação.

2. Linha Brachiaria (Marandu, Piatã e BRS Paiaguás): Rusticidade e Segurança

Gênero mais disseminado pelo Brasil, as braquiárias são célebres pela rusticidade e capacidade de adaptação a solos de fertilidade média.

  • Brachiaria brizantha cv. Marandu (Braquiarão): É a variedade mais tradicional da pecuária nacional. Adapta-se a diferentes regiões e entrega bom ganho de peso, desde que mantida em solos bem drenados (não tolera solos encharcados).
  • BRS Piatã: Tem brotação rápida nas primeiras chuvas e boa retenção de folhas verdes no período da seca, garantindo ganho de carcaça consistente mesmo nos meses de transição.
  • BRS Paiaguás: Tornou-se um dos maiores trunfos contra o período seco. Desenvolve raízes profundas, mantendo valor nutritivo satisfatório no outono e inverno, sendo muito indicada para integração lavoura-pecuária (ILP).

Tabela comparativa para decisão na fazenda

Variedade de CapimNível de Fertilidade do SoloVantagem Principal para a EngordaPonto de Atenção
MombaçaAlta (exige correção/adubação)Altíssima lotação e produção de massa foliarTende a “passar” (ficar taludo) se o manejo da altura de corte falhar
BRS ZuriMédia a AltaResistência sanitária e elevado teor protéicoDemanda reposição regular de fósforo e nitrogênio
Marandu (Braquiarão)MédiaFacilidade de implantação e rusticidade comprovadaNão tolera umidade excessiva e sofre com a síndrome da morte do capim
BRS PaiaguásBaixa a MédiaExcelente suporte e valor nutricional durante a secaApresenta menor produtividade total no auge das águas se comparado aos Panicum

Manejo: a altura do pasto define o peso na balança

Mais importante do que a semente lançada ao solo é o manejo de entrada e saída dos animais no piquete. Técnicos em zootecnia reforçam que a engorda depende da digestibilidade da forragem: o boi precisa comer folha nova, rica em proteína e energia solúvel, e não colmo (talo) lignificado.

Respeitar as alturas recomendadas de entrada (quando o capim atinge cerca de 95% de interceptação luminosa) e saída evita a degradação da raiz e permite que o animal consuma o bocado no menor tempo possível sem gastar energia excessiva andando pelo pasto. Combinar a forrageira certa com sal mineralizado ou proteinado durante todo o ano é a receita consolidada para atingir o peso de abate mais cedo e elevar a rentabilidade da porteira para dentro.

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