Quando o ego prevalece sobre a razão.
Segundo o dicionário uma pessoa egocêntrica é aquela que coloca a si mesma, os seus pensamentos, interesses e necessidades no centro de tudo, agindo como se o mundo girasse ao seu redor.
Esta definição define Cristiano Ronaldo. E não é necessariamente pejorativa. O melhor jogador português de todos os tempos e um dos melhores de sempre a nível mundial foi somando êxitos que insuflaram durante décadas o seu ego. O problema do egocêntrico é como lida com o momento em que o que alimenta o seu ego, os tais êxitos, deixa de acontecer. Saber sair é uma arte, sair da forma e no momento adequados é algo que dificilmente partirá do egocêntrico, terá de ser aconselhado a como o fazer. Ronaldo pode ter a melhor assessoria financeira e de imagem que o dinheiro pode comprar. Mas esta decisão de abondanar amuado o estágio da seleção parece ter sido tomada de modo próprio, não se terá aconselhado com ninguém, pelo menos alguém que o ajudasse verdadeiramente.
Com a chegada de Jorge Jesus, outro português de ego, legitimamente, hipertrofiado o choque de titãs estava anunciado, só não se sabia quando aconteceria. Adaptando o título do livro de Gabriel Gárcia Marquez, era uma Crónica de uma rutura anunciada. Ronaldo reagiu mal a outros selecionadores que o contrariaram. A Carlos Queiroz, no mundial da Africa do Sul em 2010, disse para toda a gente ouvir “Assim não ganhamos, Carlos” e depois de eliminados “Falem com o Carlos Queiroz”. Mais tarde em 2022 disse a Fernando Santos ao ser substituído “Estás com uma pressa do c… para me tirar”. São exemplos de como o narcisista e egocêntrico Ronaldo tinha perdido algo que teve no inicio da sua carreira, a humildade.
Ao sair do estágio da seleção na Dinamarca desta forma amuada e extemporânea, Ronaldo abandonou aqueles que capitaneava e que tantas vezes jogaram para ele e não para a equipa. Abandonar os colegas no dia anterior a um jogo importante mostra um egoísmo que tem pautado a sua presença na seleção. O selecionador anterior, Roberto Martinez, ignorou o assunto e fez tudo o que Ronaldo quis. Jorge Jesus é outro tipo de técnico e é conhecida a sua fome de ganhar e a exigência que tem para com os jogadores que escolhe. No jogo em que Ronaldo ficou no banco e depois não entrou, a equipa nacional fez uma bela exibição perante a Noruega, uma das melhores seleções do mundo atualmente. E ganhou, fruto da tatica do selecionador que colocou Félix no meio do ataque e Gonçalo Ramos como avançado centro. E Gonçalo fez golos que Ronaldo não faria, um anulado, fruto da pressão alta que provoca muito desgaste físico. Jesus leu o jogo e geriu o final do jogo com a entrada do possante Rafael Leão. E ganhou. Ronaldo só tinha de aceitar. Infelizmente amuou, o seu ego levou-o a não ir agradecer aos adeptos, a não estar com os colegas e depois a abandonar a seleção entrando no seu jato particular. Paradigmático.
Vamos seguir os próximos desenvolvimentos, espero que ainda se consiga que Ronaldo possa sair pela porta grande, para já está a bater à porta pequena, e por culpa própria.
Rui Rodrigues – Coimbra – Portugal



Publicar comentário