VENEZUELA

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O legado de devastação deixado por Maduro após mais de uma década no poder na Venezuela
Quando o líder chavista assumiu o poder em 2013, após a morte de Hugo Chávez, o país já apresentava sinais de declínio. Mas o que aconteceu em seguida superou as piores projeções, deixando um país que, em termos de bem-estar e estabilidade, está longe do que era durante seus anos mais prósperos.

A captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro, numa operação militar sem precedentes, marcou o fim de uma era que deixou um legado de devastação na Venezuela. Após 12 anos no poder, o líder chavista deixou para trás um país assolado pelo colapso econômico, repressão política, violações dos direitos humanos e a maior crise migratória da região.

Quando Maduro assumiu o poder em 2013, após a morte de Hugo Chávez, o portal de notícias argentino Infobae lembrou que o país já apresentava sinais de declínio. No entanto, o que aconteceu em seguida superou as piores projeções, deixando um país que, em termos de bem-estar e estabilidade, está longe do que era durante seus anos de maior prosperidade.

Em grande parte devido à falta de transparência na gestão de dados oficiais: as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e organizações como o Foro Penal e a Provea documentaram a realidade do país.

Violência e Repressão


A violência, tanto nas ruas quanto nas prisões, foi uma constante durante o governo de Maduro. Mais de 300 pessoas perderam a vida em protestos antigovernamentais, segundo dados documentados por organizações de direitos humanos citados pelo Infobae.

As manifestações de 2017, o ano mais sangrento, deixaram entre 127 e 157 mortos devido à repressão do regime, enquanto 67 pessoas foram mortas nos protestos de 2019, quando a comunidade internacional reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da República.Violência e Repressão
A violência, tanto nas ruas quanto nas prisões, foi uma constante durante o governo de Maduro. Mais de 300 pessoas perderam a vida em protestos antigovernamentais, segundo dados documentados por organizações de direitos humanos citados pelo Infobae.

As manifestações de 2017, o ano mais sangrento, deixaram entre 127 e 157 mortos devido à repressão do regime, enquanto 67 pessoas foram mortas nos protestos de 2019, quando a comunidade internacional reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da República.

O regime de Maduro usou a força para eliminar toda a oposição, de estudantes a líderes políticos, o que levou à condenação internacional por violações dos direitos humanos e crimes contra a humanidade.

Ao longo desses anos, as forças de segurança do Estado, juntamente com grupos armados, reprimiram brutalmente uma população que simplesmente exigia mudanças políticas e melhores condições de vida.

Milhares de presos políticos


Com mais de 18.000 pessoas detidas desde 2014, o governo Maduro usou as prisões para silenciar membros da oposição, ativistas e cidadãos que exerciam seu direito à liberdade de expressão.

Em 2025, pelo menos 863 pessoas permaneciam detidas sob acusações políticas, e 17 delas morreram sob custódia do Estado, frequentemente devido à falta de assistência médica adequada ou a circunstâncias obscuras.

Além disso, mais de 9.000 pessoas viviam sob restrições arbitrárias à sua liberdade, um estado de incerteza jurídica que afetava milhares de cidadãos.

Crise Migratória

Um dos efeitos mais devastadores da era Maduro foi o êxodo em massa de venezuelanos. Cerca de 7,9 milhões de pessoas, quase 30% da população em 2013, deixaram a Venezuela em busca de uma vida melhor.

Essa migração, a segunda maior crise migratória do mundo depois da Síria, afetou particularmente a América Latina, com Colômbia, Peru e Chile recebendo milhões de migrantes.

Esse êxodo em massa inclui não apenas trabalhadores informais ou pessoas com empregos precários, destaca o Infobae. Muitos profissionais qualificados, como médicos, engenheiros e advogados, deixaram o país devido à falta de oportunidades e à crise generalizada.

A diáspora venezuelana é uma das maiores da América Latina.

Censura e controle da informação
No Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2025, a Venezuela ficou em 160º lugar entre 180 países, refletindo os esforços do regime para silenciar as críticas.

Mais de 100 jornais impressos, incluindo o El Nacional, desapareceram durante seu regime, e quase 300 estações de rádio foram fechadas. O fechamento de veículos de comunicação, a censura na internet e o assédio a jornalistas, incluindo prisões arbitrárias e ameaças, foram práticas comuns durante esses anos.

Colapso Econômico
A economia venezuelana, que em 2013 era uma das maiores da região, encolheu para apenas 28% do seu tamanho original.

A hiperinflação, que atingiu o pico de 130.060% em 2018, dizimou o valor da moeda nacional. Os venezuelanos perderam suas economias, as aposentadorias foram reduzidas a centavos e os preços de alimentos e bens básicos dispararam para níveis inacessíveis para a maior parte da população.

A dolarização de fato da economia, que substituiu o bolívar como meio de troca, reflete a magnitude do desastre econômico que o país sofreu sob o governo de Maduro.

Desastre do Petróleo
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela viu sua produção despencar durante os anos de Maduro.

As receitas de exportação caíram drasticamente e a produção de petróleo bruto, que atingiu 3,5 milhões de barris por dia na década de 1990, ficou em média em apenas 1,14 milhão de barris por dia em 2025.

Sanções internacionais, corrupção e a falta de investimento em tecnologia levaram ao desmantelamento da Petróleos de Venezuela (PDVSA) e à estagnação da indústria petrolífera.

Um País em Extrema Pobreza
Segundo os dados mais recentes citados pela mídia argentina, 86,9% da população vive na pobreza, e a desnutrição infantil e doenças evitáveis, como sarampo e malária, ressurgiram.

Na área da educação, as universidades enfrentam uma crise de financiamento e qualidade, com salários do corpo docente que sequer cobrem as necessidades básicas. Além disso, essa situação é agravada pelo desmantelamento das instituições do país, pelo controle do sistema judiciário e por fraudes eleitorais, como a perpetrada nas eleições presidenciais de 28 de julho, vencidas pelo candidato da oposição Edmundo González Urrutia.

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