COLUNA DO SEU LUIS
Por Seu Luis
Do estilingue à vidraça: o barulho do biscoito de polvilho na política de Minas
Existe uma máxima antiga que nunca falha na política brasileira: quem passa a vida inteira com um estilingue na mão, atirando pedra em todo mundo sem medir consequências, uma hora inevitavelmente vira vidraça. E hoje a vidraça trincou feio para o deputado federal Nikolas Ferreira.
Depois de anos apontando o dedo, dando lição de moral e surfando na onda da indignação seletiva, o parlamentar agora se vê enrolado no emaranhado das próprias contradições. Vieram a público áudios e conversas que ligam seu nome a pedidos de ajuda para liberar recursos e interesses ligados a minério, envolvendo até funcionário de gabinete. Para piorar o quadro, surgem revelações sobre caronas e viagens de jatinho bancadas por terceiros investigados — com a velha e esfarrapada desculpa de que “usou a aeronave, mas não sabia de quem era”. Ora, na hora de fiscalizar os outros, qualquer detalhe vira crime hediondo; na hora de se explicar, alega ingenuidade de principiante.
Nikolas saiu das urnas como um fenômeno avassalador, conquistando mais de 1,5 milhão de votos em sua primeira disputa para a Câmara Federal. Mas o mandato que prometia tanto se resumiu a uma embalagem inflada. É o verdadeiro biscoito de polvilho: faz um estalo danado, ocupa espaço, enche os olhos na prateleira, mas quando você morde não tem consistência nenhuma. É só vento.
Agora inventam páginas de internet e vídeos produzidos para tentar listar “o que o Nikolas fez”. Uma maquiagem grosseira. O que ele entregou de concreto para Minas Gerais? Nada. Ficou preso em bravatas de plenário, como tentar aprovar projetos para forçar reprovação escolar de crianças, transformando a educação básica em palanque ideológico. Cadê as pontes, as estradas, os hospitais regionais, os recursos estruturantes que um deputado com mais de um milhão de votos deveria arrancar em Brasília para o povo mineiro? Não tem.
No final das contas, Nikolas Ferreira e André Janones representam exatamente os dois lados da mesmíssima moeda. Mudam as cores da bandeira, mas o método é idêntico: gritaria na internet, cortes para TikTok, polarização barata e quase nenhuma entrega para a população que paga a conta.
Fazer barulho em rede social é fácil; mostrar serviço e sustentar a moral quando a própria vidraça é atingida por pedras é outra história bem diferente. O povo mineiro é paciente, mas não é bobo.



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