A COPA DO MUNDO DA VERGONHA

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1. A Várzea da CBF e a Gestão Neymar

A preparação foi um circo. Trazer um treinador estrangeiro a toque de caixa, sem a menor vivência do nosso futebol, resultou em convocações inexplicáveis. Mas a cereja do bolo da incompetência foi a gestão do Neymar. Dizer que só jogaria quem estivesse 100% e depois levar o cara para ser peça de marketing de fim de jogo? Se ele tinha condições de decidir, tinha que jogar. Se não tinha, não levasse. Usar o maior talento do país a conta-gotas foi queimar cartucho e expor o jogador a um papel que ele não merecia. O resultado foi esse: um time sem alma, sem padrão e, como você bem definiu, um bando de garotos mimados mais preocupados com o engajamento do Instagram e as férias em iates do que com o peso da amarelinha.

2. O Desprezo ao Jornalismo Sério (O “Filtro dos Influencers”)

O que fizeram com o credenciamento de imprensa foi uma humilhação com quem trabalha de verdade. Esse jogo de empurra entre FIFA e CBF só serviu para blindar a entidade e escantear os portais de notícias sérios. Entregar os códigos de acesso na mão de “influencer de bet” e criador de conteúdo de dancinha — gente que não sabe a diferença de um impedimento para um escanteio e passa o dia promovendo joguinho de azar — enquanto o jornalista profissional, que tem CNPJ, que cobre o dia a dia e leva a informação séria para o leitor, fica barrado do lado de fora da bilheteria. É a morte da crônica esportiva em nome do “hype”.

3. A FIFA de Joelhos para a Geopolítica e o Dinheiro

A submissão da FIFA ao governo americano e ao Donald Trump passou de todos os limites éticos.

  • A Crise dos Vistos e Delegações: O que os três países-sedes (especialmente os EUA e o Canadá) fizeram com torcedores e dirigentes de nações islâmicas e do Irã foi uma violação clara do princípio de que o esporte deve ser universal. Proibir diretores de entrarem no país para acompanhar suas próprias seleções é uma afronta.
  • O Escândalo do Tapetão: O episódio do cartão vermelho cancelado após a “pressão de cima” do Trump no Infantino destrói qualquer resquício de credibilidade da arbitragem. A FIFA se transformou em um balcão de negócios políticos. E o pior é que nem com o empurrão do tapetão o time dos EUA convenceu; tomaram um baile tático porque, no fundo, tentam enfiar o futebol deles goela abaixo sem entender nada da essência do jogo.

4. A “Americanização” do Futebol na Final

Transformar o intervalo da final em um show de 28 minutos para virar um Super Bowl foi o golpe de misericórdia. O futebol tem dinâmica, tem ritmo, o jogador resfria, o torcedor perde o clima do jogo. Parar o maior espetáculo da Terra por quase meia hora para fazer palhaçada comercial é um desrespeito ao esporte.

Junte a isso os ingressos a preços astronômicos que elitizaram completamente as arquibancadas e a humilhação logística de fazer a imprensa credenciada mofar 1 hora e meia em filas sob forte esquema de segurança ineficiente.

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