Castanhas na Bahia e no Brasil: Da Floresta ao Campo, o Cultivo de Tesouros Nutritivos

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Em Salvador e por todo o Brasil, as castanhas são presença garantida na mesa: da Castanha-do-Pará, rainha amazônica, à Castanha-de-Caju, estrela do Nordeste. Longe de serem apenas um petisco saboroso, esses frutos secos representam um importante setor do agronegócio, com desafios e oportunidades que vão desde a extração sustentável em ecossistemas nativos até o cultivo em pomares modernos.

A Castanha-do-Pará: Um Gigante da Floresta

A Castanha-do-Pará (também conhecida como Castanha-da-Amazônia ou Castanha-do-Brasil) é o maior destaque entre as castanhas brasileiras. Não é uma cultura agrícola no sentido tradicional, mas sim um produto da extrativismo sustentável nas florestas da Amazônia, predominantemente nos estados do Pará, Acre e Amazonas. As castanheiras são árvores gigantescas que podem viver por centenas de anos, e seus frutos, chamados ouriços, caem naturalmente no chão da floresta.

  • Desafios: O extrativismo da Castanha-do-Pará enfrenta desafios como o desmatamento, a regulação da coleta e a garantia de preço justo para os extrativistas. A logística de transporte em áreas remotas da floresta também é complexa.
  • Oportunidades: O potencial de mercado é enorme, tanto interno quanto externo. O consumo de castanhas, que são ricas em selênio, magnésio e fibras, cresce devido à busca por alimentos saudáveis. A valorização de produtos da sociobiodiversidade amazônica também impulsiona a demanda.

A Castanha-de-Caju: Joia do Nordeste e Potencial da Bahia

A Castanha-de-Caju é outro carro-chefe da produção de castanhas no Brasil, com o Nordeste sendo o grande polo produtor. Estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí lideram a produção. Na Bahia, embora em menor escala que outros estados nordestinos, o cultivo do caju tem potencial, especialmente em regiões com características climáticas adequadas.

  • Cultivo: Ao contrário da Castanha-do-Pará, a Castanha-de-Caju é cultivada em pomares. As árvores do cajueiro produzem o caju, que é composto pela fruta (o pedúnculo, que é a parte suculenta e comestível) e a castanha (a amêndoa envolta por uma casca dura).
  • Processamento: O processamento da Castanha-de-Caju é complexo, exigindo maquinário específico para remover a casca externa, que contém uma substância irritante. A amêndoa torrada e salgada é a forma mais popular de consumo.
  • Mercado: A Castanha-de-Caju tem alta demanda para consumo in natura, na culinária e na indústria de alimentos. O Brasil é um importante player global na exportação dessa castanha.

Outras Castanhas e o Crescimento do Setor

Além da Castanha-do-Pará e da Castanha-de-Caju, outras castanhas ganham espaço no mercado brasileiro:

  • Nozes Pecãs: Cultivadas principalmente na região Sul, as nozes pecãs são valorizadas por seu sabor suave e propriedades nutricionais.
  • Macadâmia: Embora a produção seja menor, a macadâmia, de origem australiana, tem se adaptado bem a algumas regiões do Brasil, oferecendo uma castanha de alto valor agregado.

O setor de castanhas no Brasil está em expansão, impulsionado pela crescente demanda por alimentos saudáveis e pela diversificação de culturas. Os desafios de logística, processamento e sustentabilidade são constantes, mas o potencial do Brasil, com sua vasta biodiversidade e capacidade agrícola, promete manter o país como um dos grandes fornecedores desses tesouros nutritivos para o mundo.

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