Manejo de pastagens na transição para o período chuvoso exige estratégia para acelerar rebrota e ganho de peso do gado
Com o início do regime regular de chuvas após os meses de estiagem, a pecuária de corte e de leite entra em uma das janelas mais estratégicas do calendário produtivo. A recuperação das pastagens é rápida, mas exige manejo agronômico e zootécnico rigoroso para evitar o desperdício de forragem, o pisoteio excessivo e perdas no desempenho dos animais durante a fase de transição alimentar.
O erro mais comum registrado nas propriedades rurais é soltar o rebanho nas áreas recém-brotadas logo após as primeiras precipitações. Quando o capim começa a rebrotar, ele utiliza as reservas energéticas acumuladas nas raízes. Permitir o pastejo precoce compromete esse sistema radicular, atrasa a formação da massa verde e abre espaço para a proliferação de plantas invasoras que competem por água e nutrientes do solo.
Para maximizar a conversão da forragem em arrobas de carne ou litros de leite, especialistas recomendam quatro ações diretas no manejo:
- Respeito à altura de entrada e saída: Cada variedade de capim possui um ponto ideal de pastejo. No caso das braquiárias (como Marandu e Piatã), a entrada do gado deve ocorrer quando o pasto atinge cerca de 30 a 35 centímetros de altura, com retirada entre 15 e 20 centímetros para preservar o resíduo foliar e garantir rebrota vigorosa.
- Transição alimentar gradual: O capim novo tem teor elevado de água e proteína solúvel, mas pouca fibra efetiva, o que provoca diarreias nutricionais e perda de peso inicial. Manter suplementação no cocho com fonte de fibra e minerais tamponados assegura a estabilidade ruminal até a completa adaptação do rebanho.
- Adubação de arranque e correção do solo: A aplicação parcelada de nitrogênio e potássio logo após o estabelecimento das chuvas acelera o perfilhamento e multiplica a capacidade de suporte de animais por hectare. Em solos corrigidos previamente com calcário, a resposta biológica da forrageira é imediata.
- Divisão de piquetes e pastejo rotacionado: O fracionamento das invernadas reduz o pisoteio e o desperdício por acamamento do capim, assegurando que o pasto descanse o tempo necessário para acumular proteína de alta digestibilidade antes do próximo ciclo de pastejo.
O produtor que antecipa o planejamento forrageiro nessa virada de estação ganha vantagem competitiva em um mercado de margens estreitas, garantindo oferta contínua de alimento de alto valor nutricional e encurtando o ciclo de engorda antes do pico do verão.



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