Mundial de futebol 26: Portugal ofuscado pelo (não) brilho da sua estrela.
A participação de Portugal termina nos oitavos de final com a derrota frente à Espanha. Duas seleções muito parecidas na forma de jogar, muita posse de bola, controle do jogo e depois atacar quando a oportunidade está construída.
A diferença esteve nos detalhes, sendo o maior que a Espanha joga para o lado e para a frente e Portugal joga para o lado e muitas vezes para trás. Tem um jogo previsível e que não seduz, não encanta.
Culpa em primeiro lugar do treinador.
Com esta forma conservadora de jogar e insistindo em ter no eixo do ataque um craque, um monstro de eficácia, mas que tem 40 anos.
Ronaldo jogou em todos os jogos e só num, com a Croácia, foi substituído. Gonçalo Ramos entrou e marcou um golo que Ronaldo já não tem perfil para marcar, saltar com dois centrais enormes e mesmo assim cabecear para o golo.
E esta teimosia de Martinez em usar Ronaldo sempre explica o insucesso Luso. Porque ele não é o jogador que já foi e porque a equipa fica presa na sua falta de mobilidade e intensidade. No jogo com a Espanha a derrota começou com a lesão de Nuno Mendes, meteu Lamine Yamal no “bolso”, agravado pelo déficit físico de Ronaldo que a partir dos 60 minutos andou por ali mas nada ameaçou a defesa castelhana.
A não inclusão de Gonçalo Ramos no jogo é inexplicável, o estatuto de intocável de Ronaldo prejudicou a seleção. Paradigmático o facto de o melhor jogador português no torneio tenha sido … Diogo Costa o guarda-redes.
Ele foi a estrela que nos manteve vivos até aos oitavos, mas não lhe peçam para marcar golos, foi competentíssimo a evitá-los.
O ego de Ronaldo evitou que ele próprio assumisse as suas limitações e abrisse a porta para ser utilizado de forma mais assertiva. Assim, aquele que carregou a seleção durante tantos anos, fica ligado a um mundial luso apagado e a um desperdício de uma geração de jogadores de exceção que o acompanharam.
E é a eles que se pede, orientados por outro tipo de treinador, que tornem a seleção portuguesa numa verdadeira equipa e não no esquema gasto de Ronaldo e mais 10.
Rui Rodrigues
Coimbra – Portugal



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