Racha na Direita, Fogo Cruzado e Indefinição Marcam a Corrida pelo Palácio Tiradentes e Senado em Minas Gerais
A ascensão do discurso populista de Cleitinho divide partidos, enfraquece a chapa oficial do PL e embolou a briga pelas duas cadeiras em Brasília
O cenário eleitoral em Minas Gerais chega à sua reta decisiva sob forte tensão política, fragmentação de alianças e disputas imprevisíveis tanto na corrida pelo Palácio Tiradentes quanto nas duas vagas para o Senado Federal. Em vez de blocos coesos, o tabuleiro mineiro virou um campo minado de defecções internas, trocas de apoios de última hora e acusações de oportunismo eleitoral que atingem em cheio os bastidores partidários.
Na disputa pelo governo estadual, o protagonismo de Cleitinho Azevedo tem sido o principal detonador de atritos. Com um discurso voltado para as redes sociais, marcado por promessas de forte apelo popular, o estilo do candidato divide analistas e adversários. Críticos mais severos traçam paralelos entre a sua postura e o folclórico personagem Odorico Paraguaçu, da obra clássica O Bem-Amado, de Dias Gomes, apontando que seu perfil privilegia intervenções teatrais e bandeiras demagógicas em detrimento de propostas técnicas para gerir um estado com graves desafios fiscais e administrativos. Por outro lado, apoiadores sustentam que sua comunicação direta reflete a indignação do cidadão comum contra o establishment político tradicional.
A força de Cleitinho nas pesquisas, no entanto, gerou um efeito colateral devastador dentro da própria direita mineira. O movimento deflagrou um verdadeiro “efeito manada” que colocou o Partido Liberal (PL) em crise interna. A debandada de lideranças que abandonaram a candidatura de Flávio Roscoe para subir no palanque de Cleitinho abriu feridas profundas. O caso de Domingos Sávio — apontado por correligionários como um recuo estratégico para garantir sobrevivência eleitoral — ecoa ao lado de nomes como Vittorio Medioli, o ex-prefeito de Betim que viu suas pretensões majoritárias frustradas, além de figuras como Vile e o deputado Sargento Rodrigues. Nos bastidores, alas do PL já classificam os movimentos como infidelidade partidária e cobram medidas disciplinares que vão até a expulsão dos quadros da legenda.
Enquanto a direita se canibaliza em torno do espólio eleitoral, a disputa pelo Senado virou um capítulo à parte de pura indefinição. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que iniciou o pleito em posição confortável na dianteira, viu sua vantagem encolher significativamente nas últimas semanas.
O vácuo abriu espaço para um confronto acirrado entre concorrentes diretos com bases regionais consolidadas: o ex-governador Aécio Neves, o senador Carlos Viana e o próprio Domingos Sávio protagonizam agora um empate técnico nos levantamentos de intenção de voto. Com o eleitorado volátil e alianças sendo rompidas a poucos dias da votação, Minas Gerais caminha para uma das eleições mais fragmentadas de sua história recente, onde a lealdade partidária perdeu espaço para o cálculo de sobrevivência nas urnas.



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