Sem casco, não há cavalo: os prejuízos e os cuidados com a saúde dos aprumos na tropa

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Por BS Notícias

29 de junho de 2026

O ditado popular entre os criadores mais experientes é implacável: “Sem casco, não há cavalo”. A máxima reflete uma realidade tática e econômica no manejo equino. Seja um animal de trabalho na lida do gado, um atleta de alta performance nas pistas de vaquejada e hipismo, ou um reprodutor de alto valor genético, a saúde dos cascos é o pilar que sustenta todo o investimento do criador.

Problemas na base de apoio dos equinos estão entre as principais causas de claudicação (manqueira), queda no rendimento e, em casos graves, descarte precoce de animais. Compreender as principais afecções e adotar um manejo preventivo rígido é obrigação para evitar prejuízos no plantel.

A Complexidade Anatômica do Casco

Para entender por que o casco adoece, é preciso lembrar que ele não é apenas uma estrutura de queratina morta. O casco é um órgão dinâmico e altamente vascularizado.

Como mostra a anatomia funcional da pata do cavalo, a muralha externa protege estruturas internas vitais, como a falange distal (osso do casco) e o cório laminar, um tecido sensível e repleto de vasos sanguíneos. Quando o equilíbrio dessa estrutura é quebrado, o animal sofre com dores agudas.

Os Vilões do Casco: As Principais Doenças

O surgimento de problemas nos cascos geralmente está ligado a três fatores: manejo higiênico inadequado, umidade excessiva e erros de nutrição. Entre as patologias mais frequentes nas propriedades brasileiras, destacam-se:

  • Laminite: Conhecida como “aguamento”, é a inflamação das lâminas sensíveis que unem a parede do casco ao osso. É uma das maiores emergências veterinárias e costuma ser engatilhada pelo excesso de concentrado (grãos/ração) na dieta ou por infecções sistêmicas. Em casos graves, ocorre a rotação da falange, o que pode inutilizar o animal.
  • Broca (Pododermatite Asséptica ou Séptica): Ocorre quando microrganismos penetram na sola ou na linha branca do casco, gerando abscessos e destruição do tecido. É muito comum em períodos chuvosos ou em baias mal limpas.
  • Pododermatite Umida (Broca de Ranilha): Infecção bacteriana e fúngica que ataca a ranilha (aquela estrutura em formato de “V” na sola do casco), deixando-a amolecida e com odor fétido forte. É resultado direto de confinamento em ambientes úmidos e com acúmulo de urina e fezes.
  • Síndrome do Navicular: Uma doença crônica que afeta o osso sesamóide distal (navicular) e os tendões associados, muito comum em cavalos de esporte que sofrem grande impacto nos membros anteriores.

O Custo da Negligência

Além do sofrimento evidente do animal, o impacto financeiro para o produtor ou tutor é imediato. Um cavalo manco representa:

  1. Custos elevados com medicamentos, exames radiográficos e veterinários especializados.
  2. Perda de dias de trabalho na fazenda ou interrupção do calendário de treinos e competições.
  3. Desvalorização comercial abrupta do animal no mercado.

O Fator Umidade: Solos excessivamente lamacentos ou camas de baia encharcadas alteram a umidade natural do casco, tornando a queratina mole e permeável para a entrada de patógenos. O inverso também é perigoso: o clima extremamente seco compacta o casco, favorecendo rachaduras e quartos (fendas na muralha).

Pilares da Prevenção: Como Proteger a Tropa

A prevenção é infinitamente mais barata e eficaz do que o tratamento das afecções podais. O manejo eficiente deve se basear em quatro pilares práticos:

PilarAção Prática
Higienização DiáriaLimpar a sola dos cascos com o canivete limpador antes e depois de qualquer atividade, removendo pedras, esterco e lama.
Casqueamento e FerreamentoRealizar o balanceamento dos cascos por um profissional (ferrador ou casqueador) a cada 4 a 6 semanas, respeitando o aprumo natural do animal.
Nutrição EquilibradaFornecer dietas balanceadas. O uso de suplementos à base de biotina, zinco e metionina auxilia diretamente na síntese de queratina, garantindo cascos mais resistentes.
Ambiente SecoGarantir que as baias tenham boa drenagem, cama limpa (maravalha ou palha seca) trocada regularmente, e evitar o confinamento prolongado em piquetes alagados.

Manter os pés da tropa saudáveis exige disciplina diária, mas o retorno vem na forma de longevidade, força e desempenho nas pistas e no campo.

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