Crédito sem seguro não é política agrícola. Todos os anos, o lançamento do Plano Safra é apresentado como um marco para o agronegócio brasileiro.
O artigo de Marcelo Janene El-Kadre, presidente da Sociedade Rural do Paraná, traz uma crítica contundente e muito lúcida sobre a estrutura do apoio governamental ao agronegócio brasileiro.
Aqui está uma análise dos pontos centrais e das implicações do texto:
📌 Os Três Pilares da Crítica
1. Ilusão dos Bilhões (Crédito = Política Agrícola)
O autor argumenta que o volume recorde de recursos anunciados anualmente no Plano Safra funciona mais como uma peça de marketing governamental do que como uma solução definitiva. O crédito, sozinho, é apenas uma ferramenta de financiamento, e não uma política agrícola completa.
2. A “Indústria a Céu Aberto” e as Mudanças Climáticas
Diante de eventos climáticos extremos que deixaram de ser raros (secas severas, enchentes, geadas), produzir sem seguro é uma vulnerabilidade insustentável. O texto destaca que:
- A quebra de safra destrói a capacidade de pagamento do produtor.
- Isso gera um efeito dominó: inadimplência → renegociação de dívidas → perda de acesso a novos créditos.
3. O Ciclo do Endividamento
Sem o amparo de um seguro rural robusto, o produtor recorre a operações de barter (troca de insumos por produção futura) com cooperativas e revendas. Se o clima falha novamente, o produtor se enterra em dívidas, comprometendo safras futuras e reduzindo sua capacidade de investimento.
📉 O Impacto Macroeconômico
O artigo acerta ao expandir o problema para além das porteiras. A falta de gestão de risco no campo afeta diretamente:
[Quebra de Safra]
│
├──> Prejuízo para Cooperativas e Agroindústrias
├──> Desemprego no setor de Transportes e Serviços
├──> Queda na arrecadação dos Municípios agrícolas
└──> Inflação de alimentos para o Consumidor Final
💡 A Solução Proposta
A Sociedade Rural do Paraná defende que o foco do debate nacional mude da quantidade (o tamanho do Plano Safra em bilhões) para a qualidade da política pública.
O que o setor exige: Não são privilégios ou subsídios a fundo perdido, mas sim previsibilidade e um seguro rural robusto e perene, que funcione como o pilar central da estabilidade do agronegócio brasileiro.
Em suma, o texto é um alerta vital: o Brasil desenvolveu uma tecnologia agrícola de ponta e uma eficiência invejável, mas a sua governança de riscos e a formulação de políticas públicas continuam presas a um modelo ultrapassado focado apenas no financiamento bancário.



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